De todos os dias que já passei aqui este foi o que mais andei. Ao acordar fui lavar roupas, mas como ainda tenho receio de fazer besteira lavei – por enquanto – minhas cuecas na mão mesmo. Aqui não há tanque de lavar roupa, por isso improvisei algo similar na banheira – como aquelas ranhuras fazem falta. Depois de feito isso enfeitei a frente da casa com várias cuecas coloridas, tenho até de pimentinhas. Assim que fiz isso comi o atum que eu havia preparado ontem então foi a minha vez de ser lavado na banheira. Saí de casa para comer no refeitório da meu campus e deixei as cuecas para pegar do varal só quando eu voltasse. Eu pretendia encontrar meus amigos ao meio dia no refeitório. Eles já estavam na faculdade pois foram ver umas aulas, mas sem o compromisso curricular. Não fui ver estas aulas pois as verei em diferentes horários. Como disse no post anterior: não tenho aulas às quartas. Como tenho costume de chegar cedo aos pontos de encontro cheguei lá ao meio dia e meia. Para minha surpresa eles estavam deitados sob o sol e me esperando – não havia aula hoje. Eles haviam comido no refeitório porque estavam mortos de fome, moram mais longe e acordaram bem mais cedo para chegar à tempo. Eu estava com fome mas estava tranquilo ainda. E eles comeram mais cedo também porque havia um enxame de umas 60 pessoas que pareciam ser estudantes formandos de direito dentro do refeitório. Estranho ver formando no refeitório, mas era o que parecia.
A Universidade do Porto dá aos estudantes um vale de trinta euros para comprar um celular, fomos todos comprar na loja da operadora TMN, no centro da cidade. Peguei o celular da Nokia mais barato que havia – 34,90 euros. Paguei a diferença e agora tenho um número aqui. Não posso deixar de citar que antes de acharmos a loja no centro entramos num shopping bem vazio para procurar a loja, não encontramos, mas encontrei meu caminho. Dentro do vazio daquela construção há uma loja de mangás, quadrinhos e artigos otakus. De lá não comprarei nada por causa das diferenças nas edições que tenho à completar. Mas quando eu quiser me divertir olhando vitrines ou passeando em loja é para lá que vou. Enfim, comprado o celular fui comer – meus colegas me acompanharam ao restaurante Chimarrão, que já citei. Pedi o mesmo prato feito de antes e continuei sem pedir bebida, afinal eu possuía uma garrafa de uns 500 ml na mochila. Carrego essa garrafa comigo pra cima e pra baixo. Após comer os acompanhei no mercado Froiz, que fica no piso subterrâneo do Shopping da Cidade do Porto, o mesmo do Chimarrão. Eles compraram a feira da semana e eu um cortador de unhas – já que esqueci um novinho no Brasil. Era hora dos destinos se separarem ao menos no meio de transporte. Eu pretendia há tempos ir ao Arrábida Shopping, que fica logo após a ponte que liga Porto e Vila Nova Gaia, que é onde eles moram. No Arrábida eu precisava comprar um ferro de passar roupa e um alteres, para fazer exercício. O ferro há em qualquer lugar muquifento da Cedofeita, porém fiquei sabendo que havia um por cinco euros no Arrábida. Eles foram para o ponto de ônibus e eu fui descobrir um ponto de acesso para atravessar a ponte. Não queria pagar ônibus e queria andar à pé sobre a ponte. Voltei de ônibus pois não pretendia voltar uns 3 km à pé carregando um ferro de passar e 10 kg em alteres.
O interessante foi depois que achei o acesso de pedestre da ponte. Há uma calçada que fica à beira do asfalto e uma grade de um metro e meio para evitar que alguém caia facilmente, tudo normal até aí. Assim que atravesso a ponte e chego em Gaia descubro que a calçada termina na ponte. Do outro lado só há rodovias e com muito movimento. Não queria voltar de jeito nenhum, esperei uma hora boa e fui atravessando as ruas e pulando as muretas de proteção. E andando no acostamento sempre que possível. Segui reto sempre, até que avistei o Arrábida. Achei que ia acabar o incomodo, mas só aumentou. Achei normal ter grades protegendo o estacionamento, só achei bizarro ter grade o suficiente para seguir separando o bairro residencial que existem em frente ao Arrábida da estrada. Ou seja: eu estava preso no acostamento de uma quase BR porque havia grades cercando qualquer acesso ao bairro. E não andei pouco procurando um lugar para entrar. Avistei um morador de uma residencia trabalhando na horta de casa. Ele deixou a enxada para me responder com uma voz traqueostomizada como entrar no bairro.
- Vá neste sentido e passe pelo buraco na grade.
- Vá neste sentido e passe pelo buraco na grade.
Pensei em evitar passar pelo buraco, já que se algum carro de polícia passasse podia não gostar. No Brasil não teria medo, mas aqui sou estrangeiro. Perguntei então se não havia outro acesso mais à frente.
- De carro?
- Não, no pé mesmo. E gesticulando duas pernas andando com o pai de todos e o fura-bolo.
- Não tem outro.
- ...
- O acesso é pelo buraco.
Agradeci e então desisti da idéia de ser civilizado. Se foram burros o bastante para não deixar nem alguém circular depois que sai de uma ponte com acesso para para pedestres não tinha de me esforçar para contribuir com o péssimo planejamento.
Entrei por um buraco na cerca, devia ter uns 0,4 m² de largura. Depois foi fácil entrar no Arrábida, já sabia a direção do Shopping. Antes de entrar avistei um ponto de ônibus que passam vários autocarros – como aqui são conhecidos – para voltar para casa, ou próximo. Achei então o ferro de passar roupa por cinco euros. Era o último da loja e por isso comprei o do mostruário, está funcionando e tem dois anos de garantia. Fiquei embasbacado com dois anos de garantia por um produto que custou só cinco euros. E além de tudo qualidade por preço baixo. Mesmo no Brasil não se acha um ferro por quinze reais que tenha tamanha qualidade e garantia. Não comprei o ferro de passar depois dos pesos porque não queria dar uma de João-sem-braço-mas-que-este-que-vos-escreve-ambos-os-tem-muito-bem-obrigado e carregar alteres de 10 kg pelo shopping. Antes de comprar o ferro eu já havia visto os alteres. Paguei doze euros e cinquenta centimos por uma barra de ferro de 2 kg, duas presilhas, quatro pesos de 1 kg cada e dois pesos de 2 kg. Fiz as compras e fui para o ponto. Independente do autocarro que venha de Gaia faz o mesmo caminho em Porto – pelo menos estas linhas. Peguei o primeiro que passou e parei junto à faculdade de letras, que fica cerca de 1,5 km da minha casa. Tive de andar bastante com os pesos, os problemas são as subidas, mas cheguei vivo. Assim que joguei tudo em cima da cama e os pesos no chão do meu quarto comi mais pão com atum de ontem. Bebi também muita água, mas enfim. Não fiquei parado e fui à Cedofeita fazer compras no mercado e na frutaria. No mercado Pingo Doce achei um galão de cinco litros de água por 49 centimos. Não compro de outra marca depois de achar este preço. Mais uma vez este preço barato provém da marca do próprio mercado. Comprei mais atum e maionese, um produto para limpar banheiro, geléia de cereja – para quando a de laranja acabar, pois a de amora já se foi, mel, pão e mais algo que não lembro. E na frutaria comprei bananas, somente. Voltei para casa e comi mais. E desde então estou lendo, conversando, escrevendo e na net, esperando notícias da loira – mesmo sabendo que não está no horário dela aparecer por aqui.
Parece que poderei fazer a matéria Gestão da informação para Comunicação, contanto que eu abandone Comunicação Empresarial. Então já é!
Ahhh sim, fiz brigadeiro para os gringos, mas vou servir gelado. Amanhã já estará gelado o suficiente. Então por hoje é só.
Nenhum comentário:
Postar um comentário