sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dia de Matrícula

Coisas que esqueci de citar:


O único carro de auto-escola que eu ví aqui tinha uma plotagem de chamar, como aqueles carros tunados costumam ter. Faz sentido, pois tanto carros tunados quanto carros de auto-escola estão acostumados a zunir o motor.

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Não pretendo mais comprar uma bicicleta, seria até bom; mas aqui há ladeiras demais e estou bem com a sola do pé. No lugar comprei um travesseiro novo. Quando cheguei aqui já havia um, mas costumo dormir com dois – sempre. Sei que com o tempo me acostumaria, mas até lá as noites seriam como as de hoje: acordando de tempos em tempos. Custou só oito euros – era o segundo mais barato da loja. Digo “só” oito euros porque é um preço por boas noites de sono.

Não pretendo também comprar mais uma coberta – não custam muito caro – mas achei no armário um lençol bem grosso da última pessoa que esteve aqui. É na verdade um lençol de colchão que também serve como saco de dormir, mas estou usando como lençol. Comentei ontem a fama da pessoa que ocupava meu quarto, mas estava cheiroso até. Pelo jeito a tendencia não é esfriar, mas se ficar mais frio que na noite de hoje será bom ter mais um cobertor.

Acordei recuperado do sono e tomei um banho que me acordou mais ainda. Não sei o motivo que fez com que o aquecimento do banho não funcionasse – detalhe: no meio do banho. Terminei o banho no frio mesmo. Não sei se foi bem esse o motivo de minha mão ter ficado com a palma rocha, deve ter sido. Já estou em cores normais. Fui então à faculdade de letras resolver minha matrícula, mas desta vez usei um atalho – rá! Já estou sabendo andar por vielas. Ao lado da faculdade de letras há um bairro residencial, e ontem circulei por ele para chegar na entrada principal do prédio. Mas hoje resolvi entrar pelo bairro até achar uma entrada secundária. Há de se circular o bairro porque ele é elevado uns dez metros da rua que o circunda. Só percebi uma rua de acesso e há várias escadas espalhadas no paredão que ergue a quadra inteira. Subi pela rua e lá dentro percebi que aquilo tudo havia sido feito por cima de o que um dia devia ter sido um forte. Havia algumas partes do que eu julguei ser um forte dividindo espaço com os carros e casas. Ontem, quando circulei o paredão havia uma fonte saindo da parede de pedras, sob ela uma caixa de concreto – a caixa estava vazia e mesmo assim vazava um fino fio de água que descia pela calçada até, por sorte, encontrar um buraco que dá acesso ao subterrâneo. Mas hoje a caixa estava cheia e vazava por todos os lados, fazendo uma mini torrente de água na calçada. Talvez aquela fonte, que tem afixada sobre ela uma placa que diz que ali há água imprópria para consumo, seja uma forma de escoar a água daquele bairro inteiro. Não me pareceu ser o esgoto, não havia cheiro. Mas enfim, achei facilmente uma entrada secundária para a faculdade e lá me achei para fazer a matrícula. O prédio é lindo, mas meio confuso. Aliás um dos poucos prédios com cara de novo por aqui. Uma coisa beeeeeeem de lusitano: uma escada que começa no segundo andar e termina no último, quem quiser subir de escada para os outros andares tem de achar outra escada para chegar no primeiro andar para só então pegar aquela. Detalhe: a escada que começa no primeiro andar também vai até o último. Mas para quem quer ser simples: há elevadores – que devem ir para todos os andares, deduzo. Isso descobri porque andei de feliz pelo prédio, eu tinha de resolver minha matrícula no térreo mesmo.

Acabei de voltar da praia, ainda conto como foi que parei lá e como foi que voltei, mas por enquanto continue a ler este texto interrompido pela minha visita ao mar de Porto.

Voltei para o alojamento e naveguei um pouco pela net, estava esperando uns vinte minutos para então sair e ir ao refeitório da faculdade comer. Hoje o cardápio não tinha carne de gaivota. Dentre os três pratos feitos que se pode escolher hoje peguei um rizoto. Que delícia! Um sabor anormalmente bom para restaurantes universitários. Desfrutei do almoço, que não tinha nenhuma fruta – mesmo desfrutado. Na volta saquei uma quantia em euros para pagar a estadia no Bairro Ingez, há inúmeros caixas multi-banco por toda Cedofeita. É bem tranquilo achar caixas.

O curioso é o outro lado da rua. É dez metros abaixo do nível do asfalto. Há uma parte aonde fica uma casa só e com vários andares de diferentes culturas vegetais e mais adiante um aglomerado de casinhas. É linda essa fossa cheia de casas e plantações.

Durante o dia de hoje tentei ligar inúmeras vezes para a Celina, mas em nenhuma ela atendeu. Ahhh namorada sumida, quem viaja sou eu e ela que desaparece – mas até quando eu estava no Brasil ela resolvia ignorar a existência do celular.

Na volta ainda comprei mais frutas, para todo fim de semana caso eu não vá de supetão para Braga. E servirão também para caso eu for e volte com fome. E posso levá-las também – ora pois. E só então fui comprar meu travesseiro. Na Cedofeita é fácil comprar as coisas.

Quando eu cheguei em casa e comecei a escrever este texto, deitado sobre o sofá, é que a francesa passou pela minha porta e me convidou para ir à praia com mais duas pessoas daqui. Desliguei na hora o jostinha (meu lap top) e fui! O nome da francesa é Linda dos Santos, ou da Silva.. não sei. Ela tem os ascendentes lusitanos. O nome da outra garota e do garoto que estavam conosco eu não sei. Não tenho cara de perguntar nomes novamente. Pensei que iríamos de ônibus, mas assim que passamos pelo portão do bairro a Linda tira uma chave de carro. Ela tem um furgão à Mistery Machine, do desenho Scooby Doo. Só que só há bancos na frente, comportando três pessoas, fui num sofá que ela instalou na traseira do furgão azul. O interior do furgão é todo decorado com fotos aleatórias e um pano gigante – encobrindo por inteiro uma das paredes do furgão – com ilustrações que retratam a vida humana na África. Também havia um carpete encobrindo o chão do veículo. Assim que entrei no furgão percebi que ela consumia algum tipo de droga, não pela decoração... mas pelo aspecto. Naquelas alturas eu não ia desistir de um passeio na praia.

Sempre que havia carros da polícia – que não são poucos por Porto – eu tinha que me abaixar para não ser visto. De música botaram para rodar um cd do Blur – que por sinal é uma das minhas bandas preferidas – e descemos pelas estreitas ruas das redondezas do Bairro Ignez. Parecia uma montanha russa, passar com um furgão destrambelhado por vielas que eu teria dificuldade em passar com a S-10 que dirijo em Curitiba. Chegamos na praia em Matosinhos, já não era Porto. Ela estacionou o furgão e descemos todos, caminhamos um pouco para a praia (estávamos todos com jeans e blusas) e me diverti conhecendo as areias daqui, dei uma de turista e fotografei muito – cheguei a diminuir a resolução da minha máquina para que coubessem mais fotos (coisa que como pseudo-quase-fotógrafo-profissional-mas-que-não-trabalha-ainda-com-fotografia não admito fazer). Sentamos na areia eu e as duas garotas, o moço encontrou um povo conhecido e foi conversar. Mal sentamos – eu meio quieto – a Linda explicita que são drogadas (ela que se identificou como drogada, com esta palavra mesmo). Eu já havia percebido pelo jeito dos três no furgão. Disse que não consumo mas não tenho nada contra. Até tenho muita coisa contra sim, mas não era hora de dizer sim. Percebi que na praia – ao menos naquele ponto – há muito consumo à céu aberto de drogas. Fui passear enquanto as duas fumavam. Fui fotografar uma obra de arte imensa (pode ter certeza que é mais imensa do que você, leitor, imaginou) que eu adorei. Em seguida fui ver o que havia num forte próximo. O forte é relativamente novo, com 350 anos – lá funciona hoje um museu de armas em homenagem à polícia portuguesa. Não são armas velhas, chega a ter um torpedo pequeno e pequenos mísseis. Voltei novamente para perto da obra de arte e telefonei para a Celina, que infelizmente não atendeu. Quando voltei para a areia não avistei as duas. Demorei no passeio mas não era motivo para não estarem ali. Fui ver se o furgão ainda estava lá. Qualquer coisa eu tinha em mente voltar de ônibus, não seria difícil. O furgão estava lá, então voltei para perto do ponto onde elas estavam e fiquei observando a paisagem por um tempo. Nem o rapaz estava junto com os amigos drogados. Logo as duas apareceram e me viram. Estavam tomando um café e fumando junto com mais três rapazes. Lá há como se fosse um shopping à beira mar. O térreo é só comes e bebes, os outros dois andares compões uma mega academia. O surf é intenso mesmo em dias de frio naquela área. Me sentei com eles, que passavam um cigarro de maconha não muito discretamente um para o outro. Me neguei a fumar. Fui ligar novamente para a Celina, mas sem exito – o que é preciso para falar com ela?! Voltei e já haviam consumido a droga. Eu estava meio quieto, deixei de querer ficar ali. Se alguma coisa grave acontecesse eu seria possivelmente deportado, eles sendo todos europeus seriam no máximo presos – imagino. Antes de ir embora fumaram mais um à beira mar e voltamos são e salvos, mesmo com uma condutora alterada.
Enquanto estive na praia pude perceber algumas coisas:

Já ouviram falar daquele carro Smart? Há muitos deles por aqui, e me faz vontade de ter um. Cabe em qualquer buraco de agulha. Postarei fotos de um Smart sedã e um Smart convencional estacionado de forma realmente smart.

Duas besteiras lusitanas:

No banheiro masculino os mictórios (aqueles na parede) ficam rente à porta do banheiro, não há divisória. Em frente à porta do banheiro masculino está a do banheiro feminino. Já deduziram o que pode acontecer se um homem e uma mulher saírem do banheiro ao mesmo tempo? Não? A moça vai poder ver com facilidade todos os homens empoleirados nos mictórios – sem divisória entre eles até.

Aqui não há cones de trânsito. Aqui há uma forma lúdica de cone. Há uma base amarela com duas fendas se cruzando no centro da base. E encaixado em uma dessas fendas vai um plástico em forma de triângulo. O plástico tem as cores: branco e laranja. Min há pergunta: Por que não um cone? Tirarei fotos disso ainda.

Cheguei com relativa fome e vou fazer ovo para mim. Com tomate e cebola. Ahhh sim... quando eu voltar ao Brasil é capaz que eu leve uma geléia que comprei no Pingo Doce. São 350 gramas, e para cada 100 gramas 45 são de fruta. Ou seja: 45% da geléia é de fruta. É extremamente boa e suave – e barata! Comprei de amora e laranja, para a Celina levarei uma de morango.As comidas aqui tem outra qualidade. Se é comprada geléia dentro do pote é geléia, diferente dessas da Turma da Mônica que mal e mal possuem um sabor artificial. Enfim.

Saudades da moça que de tanto trabalhar não me atende.

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