Hoje de manhã não teve muita coisa útil. Acordei e conferi o capítulo semanal de One Piece, que demorou a sair. Assim que fiz isso tomei banho com a temperatura da água variando de fervente à congelante, normal neste chuveiro – se continuar assim vou trincar. Em seguida fui novamente ao Pingo Doce, desta vez comprar sal, óleo, amaciante e um sabão para esfregar nas roupas – ainda não lavei roupa, tentarei terça ou segunda. Comprei também pilhas para minha cãmera fotográfica digital compacta de quase dez anos. Lembrando que antes mesmo de conferir One Piece eu abri o gmail para ler as palavras da minha loira. Antes de falar como foi o dia vamos ao
quadro:
Coisas que esqueci de citar -
Já passei pela frente de um sex shop daqui. Não sei se generalizo... mas aqui em Porto os sex shops expões os vibradores nas vitrines.O nome deste sex shop em questão é assim escrito: 68+1. Dizem às vezes: rir para não chorar. No caso a opção é: rir ou gargalhar.
Não tem muita gente bonita por aqui. Há mais homens bonitos que mulheres bonitas. Ninguém aqui deve ter sido o gordinho da turma, pois são todos magros. Os que não são magros ostentam pouca barriga.
Voltando ao texto:
Eu havia combinado de marcar um horário para me encontrar com meus colegas de Curitiba que estão aqui também. Fazem jornalismo na minha sala. Então quando voltei do mercado liguei o jostinha e entrei no msn, marquei duas e vinte em frente à reitoria. Tinha tempo de sobra, então fui fazer o almoço.
Receita de um breve almoço para quem está vivendo como solteiro mas namora à distância:
Prato de hoje – Ovo com vinagrete, sem vinagre, e miojo de picanha..
Prato de hoje – Ovo com vinagrete, sem vinagre, e miojo de picanha..
Ingredientes: Dois ovos, um quarto de cebola e meio tomate. Um miojo à gosto.
Primeiro passo: Tire a casca de uma cenoura. Sim, para ir mordiscando enquanto a refeição é preparada.
Modo de preparo:
Separe tudo o que será preciso – Panela, frigideira, escorredor, talheres de prato e de cozinhar, um prato e uma tábua de corte.
Pique meio tomate e um quarto de cebola. Não se importe com o grande tamanho que os pedaços tomaram forma. Que graça há em deglutir e mastigar algo que pronto para engolir?
Haja como inexperiente e comece preparando o ovo primeiro, com óleo em demasia na frigideira – por acidente, óbvio. Não pense em jogar fora o óleo, é caro e você já comeu coisa pior. Quebre os dois ovos, um por vez e despeje, o que um dia seria uma galinha, na frigideira. O óleo em demasia vai reagir com o calor e o ovo deixando marcas de bravura em sua pele. Parabéns por ser corajoso e ignorar respingos ferventes. Lembre-se de já ter deixado a água para ferver na menor boca de um fogão com três bocas.
É essencial deixar parte do ovo no ponto, parte meio crua e parte passada. Um compensa o outro. Feito isto pesque com o garfo o ovo no mar de óleo – para evitar tanto óleo pegue uma frigideira com menor área – e repouse sobre o prato. Bote a frigideira na pia, e coloque imediatamente a água na boca grande, para acelerar a ebulição. Enquanto aguarda o rápido processo mordisque a cenoura e misture a cebola e o tomate com o ovo, só aí lembre-se de por o sal. Nessas alturas a água já está fervendo, quebre o miojo em dois e despeje na água. É importante não colocar o tempero na água, seja corajoso e deixe aqueles ácidos que estimulam as papilas gustativas agirem diretamente sobre sua língua. É a minha preferencia não colocar o tempero na água.
No prato já deve estar reservado metade da área para comportar o macarrão, a outra deverá ter sido ocupada pelo ovo.
Faça movimentos de inverter o lado da panqueca com o escorredor de macarrão, assim que a massa estiver nele, para se livrar da água. Do escorredor coloque o macarrão no prato e corte em vários pedaços – fica mais fácil de pegar com o garfo. Despeje então o tempero que veio no pacote de miojo – não empere antes de cortar, haverá perda de tempero.
Coma à vontade, nem tão à vontade porque a comida acaba. Digo à vontade é sem preocupações. Não pense demais no gosto do ovo, assim o bom sabor aparece, garanto.
Depois de tudo isso lave a louça,mas só a sua. Não a que o seu colega de apartamento deixou na pia. Lave também um pano de prato que você adotou como prato de pão – é só jogar os farelos na beira do rio depois.
Enfim, fim da receita de hoje.
Saí mais cedo que duas e vinte para poder ligar para minha namorada. Consegui falar com ela – foi bom poder ouvir a voz dela novamente. Não consigo esquecer dela em nenhum momento. Assim que terminou o telefonema sentei em frente à reitoria. Não vou descrever minha espera, só digo que esperei até duas e cinquenta e cinco e nada dos meus colegas aparecerem. Uma vida sem bolo não é uma vida doce. Pensei: que se fodam se aparecerem agora. Leitor, não me recrimine por pensar assim, ninguém gosta de esperar. Fui andar aleatoriamente pela cidade. Andei muito. Fiz questão de não me localizar, de sair solto. Só sabia em que direção mais ou menos ficava minha moradia. Assim acabaria conhecendo mais coisas além do que conheceria com um roteiro planejado. Foi interessante, preciso fotografar algumas coisas. O comércio é muito intenso em qualquer tipo de rua por aqui – vielas ou avenidões. Não fotografei porque as pilhas que eu havia comprado são péssimas e mal deram bateria para minha máquina fotometrar. Vou seguir mais o ditado: o barato sai caro. Tive de comprar pilhar novas, desta vez alcalinas. Ontem comprei um jornal para ver como que eram os jornais daqui e vi que estava tendo um show do Stomp, acho fantástico o que fazem com o que quer que seja. Fiquei com vontade de ver e hoje por sorte passei no Coliseu, o teatro em que estão se apresentando. Mas nem fui perguntar o preço para estudante porque havia gente demais nas filas. Demais mesmo. Hora de voltar, fiquei perambulando randomicamente por Porto, pelo menos na direção em que eu sabia ser a região em que estou morando. Qualquer coisa eu tinha um mapa na mochila. Andei muito, por um momento cheguei a pensar em consultar o mapa mas tive uma surpresa ao ver que eu estava no fim das contas em frente ao 68+1. Me senti em casa, não que ao avistar sex shops eu tenha esse sentimento, mas já sabia voltar direito. O curioso é que o vibrador mais espalhafatoso não estava mais na vitrine. Era um que penetra por dois lugares e ainda há um estimulador de clítoris. Não fiquei parado na frente da loja para reparar isso, mas o negócio era desproporcional ao ser humano e vermelho! Alguma lusitana (imagino) vai se divertir neste fim de semana. Enfim, voltei para casa pela Cedofeita e assim que cheguei já comecei a escrever isto. Quer dizer, antes conversei com o Thales sobre atender clientes e ouvintes lelés.
Por enquanto é só. Vou só descrever umas coisas gerais da cidade.
No momento aqui há muitas construções, eu achava que era só no bairro em que estou. Mas não é, quando fui para a praia pude perceber os mesmo guindastes de construção que pude ver aqui. Estão espalhados em grande número pela cidade. Se a crise está aqui, não está na construção civil. Sobre o clima e pessoas: Não interessa o sol e nem o calor que pode fazer durante a tarde as pessoas daqui não tiram a jaqueta, moletom ou blusa. Nem arregaçam as mangas. Hoje, que andei de camiseta por muito tempo vi somente alguns que chegaram a abrir o zíper da frente da jaqueta. O povo daqui é magro porque cada um veste uma sauna, só pode.
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