Coisas que esqueci de comentar nos textos anteriores:
Assim que cheguei, ainda quando arrastava a mala, percebi que aqui não chovia havia algum tempo, pois havia uma teia de aranha imensa dentro de uma boca de lobo. Eu estava certo, fazia quase uma semana que não chovia. O tempo está ensolarado, mas meio frio.
Além dos veículos automotores comuns em qualquer cidade grande aqui há os elétricos – os conhecidos bondinhos. Pelo menos no centro velho da cidade, que é onde estou, as calçadas e até as praças são cortadas por trilhos de bondes. No meu primeiro dia aqui (ontem) quase fui atropelado por um bonde. Dizer que quase fui atropelado é certo exagero, ele estava vindo na minha direção havia algum tempo em verdade, mas o percebi vinte metros antes do que seria um choque contra minha pessoa. Acho que estava distraído olhando a cidade.
Há alguns modelos de carros que possuem os mesmos nomes dos que circulam no Brasil, mas são diferentes. O Punto por exemplo é um destes carros, aqui há dois modelos de Punto. No Brasil somente um. É clara a diferença entre o modelo mais antigo e o mais novo (que é o que circula no Brasil). O modelo antigo lembra uma mistura de Palio com traseira de Kombi amassada.
Já citei que tenho saudades da Celina? Acho que já. Mas cito novamente. Como ela faz falta.
O Ares faz umas maquetes de isopor, e chama o material de esferovitas. A escrita deve ser esta. Esfera e Ovitas. Faz sentido, afinal o isopor é um aglomerado de pequenas esferas, ou ovitas como preferir. Mas prefiro chamar por isopor, que vem do fato de ser um material poroso. Tanto assim que a cola de esferovitas dele chama-se: Por
Ontem de noite jantei com dois italianos e três italianas, eu jurava que uma destas três era espanhola, pois quando tentava falar o português falava com um carregado sotaque espanhol. Ou ela é espanhola mesmo e quando fala italiano o fala bem. Ou é alguma coisa que ainda nem imaginei, pois ela é uma incógnita. Se ao menos lembrasse o nome dela... porque minha memória é péssima para nome de muita gente em tempo curto.
Ontem de noite jantei com dois italianos e três italianas, eu jurava que uma destas três era espanhola, pois quando tentava falar o português falava com um carregado sotaque espanhol. Ou ela é espanhola mesmo e quando fala italiano o fala bem. Ou é alguma coisa que ainda nem imaginei, pois ela é uma incógnita. Se ao menos lembrasse o nome dela... porque minha memória é péssima para nome de muita gente em tempo curto.
O jantar foi legal, massa feita por italianos. É incrível como isto fez diferença no sabor de um macarrão caseiro. Eram duas pastas, uma com molho apimentado de tomate e outra com um molho branco e grão-de-bico. A conversa foi toda em italiano, mas como não falo apenas ouvi e percebi até mais do que pensei que fosse perceber. Vez ou outra paravam tudo e me diziam o resumo da conversa, algumas vezes eu sabia do que se tratava a conversa e até comentava algo depois do resumo. Mas enfim, descobri algumas fofocas, bafos e afins do Bairro Ignez. Prefiro chamar estas fofocas de informações úteis para a sobrevivência. Devo:
Evitar uma senhora beeeeeem idosa. Ela é meio fora de si e quando começa a alugar o ouvido de alguém não pára. Relevem esse acento no “pára”, não é fuga da nova regra gramatical, é apenas nostalgia. Dizem que ela chega ao ponto de entrar na sua casa para ficar conversando, mesmo se quem estiver dentro estiver trabalhando ou dormindo. Aqui todas as portas ficam abertas quase o dia todo, dentro do Bairro é bem seguro. O que é um motivo preocupante para quem quer evitá-la. Segundo recomendações dos italianos devo inventar um sotaque e dizer que não entendo português, acho que seguirei esta linha. Há quase um alerta de segurança para que todos fechem as portas aqui no bairro. A senhora teve um AVC e agora anda arrastando os pés, quando escuta-se este som as portas devem ser fechadas – assim indicam os italianos. Assim como o sotaque, seguirei esta linha. Já lidei demais com gente inconveniente na Rádio Banda B, mas eles eu era obrigado a tratar, pois eram os ouvintes.
Não conversar demais com um homem que é garoto de programa. Dizem à boca pequena com sotaque italiano que ele faz qualquer tipo de trabalho, qualquer mesmo. Ninguém tem nada contra ele, mas sempre pé atrás.
Há um homossexual morando numa das casas. Nada contra também, mas o conselho é o mesmo que o do garoto de programa. Pé atrás, até para evitar que ele se insinue com segundas intenções. (Qual foi o heterossexual que quando levou uma cantada de alguém do mesmo sexo se sentiu bem? Eu pelo menos não me senti e não conheço quem tenha sentido).
Esses foram os principais conselhos de sobrevivência. Fiquei sabendo também que o antigo colega de apartamento do Ares era um galináceo que já visitou garotas de todos apartamentos do bairro. E que no mínimo duas já trouxe para dormir na cama onde atualmente eu durmo. Falaram tudo isso em clima de brincadeira, óbvio. Já faz três meses que o antigo companheiro de apartamento do Ares saiu desta casa, mas brincaram que há microorganismos muito resistentes. Falei que mesmo trazendo roupa de cama na dúvida colocaria meu colchão exposto ao sol. Rimos muito ontem.
Voltei para casa o equivalente às sete e meia da noite no Brasil – dez e meia aqui. Entrei no msn para esperar minha querida, ela demorou, mas esperei ao ponto de só dormir uma da manhã, só depois de falar com ela.
Nota: Percebi agora que gasto um grande tempo digitando. Já se passou cerca de uma hora
desde que comecei a digitar isto – isso porque dou uns intervalos.
Ao acordar tomei banho e fui para a reitoria da Universidade do Porto cuidar da matrícula na universidade, ainda precisarei me matricular no curso. Já tenho carteira de estudante, o que me permitiu almoçar no restaurante universitário – cantina. Por dois euros e quinze centimos (como aqui chamam os centavos) comi bem. A comida era toda fácil de identificar do que se tratava. Um arroz feito à rizoto, uma sopa de legumes e um pedação de carne que ainda penso qual a origem animal teve aquele pedaço. De boi não era, de peixe não, e muito menos de porco. Confabulo teorias diversas, a última é que no cento velho há muitas gaivotas por causa do porto. Sabe-se lá.
Descobri que a cidade do Porto tem dois mil e oitocentos anos. Mas ainda pretendo confirmar isto no Wikipedia.
Descobri que a cidade do Porto tem dois mil e oitocentos anos. Mas ainda pretendo confirmar isto no Wikipedia.
Quando eu estava esperando na reitoria para efetuar a matrícula chegou uma moça de tez escura acompanhada de um lusitano já mais velho. Ela é brasileira, de São Luís do Maranhão, e vai estudar direito. Fiquei conversando com o lusitano mais velho sobre como a burocracia é uma forma de controle social. Descobri no fim das contas que ele foi visitar o maranhão e lá conheceu a estudante brasileira e agora ela está aqui com ele. É um daqueles casos em que um estrangeiro bem mais velho vai para um país mais pobre e trás consigo uma mulher nova, em idade também. Mas esse fato é o menor pormenor e também não tem nada a ver comigo, a conversa foi interessante.
Meu horário de ir fazer a matrícula na faculdade de letras para poder cursar jornalismo já chegou. Contei tudo o que eu queria...
Ainda não:
Comprei um galão de cinco litros de água por um euro e cinco centimos. Um plástico de um litro de detergente para louça por um euro e quinze centimos. O que me espantou aqui foi o preço das esponjas para limpeza: vendem-se por unidades e cada uma por meio euro. Já imaginou pagar um real e cinquenta por esponja de lavar louça?
Tenho de ir à um mercado grande, ver se acho um travesseiro barato (já tenho um, mas durmo sempre com dois... se custar caro me acostumo com um só) e uma coberta – não passei frio, mas se tivesse esfriado um pouco mais talvez sim. Também pretendo comprar algo barato, óbvio.
Saudades da Celina, faltam 126 dias para vê-la de novo, caso ela não apareça por aqui. Depois reconto os dias para ver se errei, mas é por aí.
Sairei agora e baterei fotos!
Tenho de ir à um mercado grande, ver se acho um travesseiro barato (já tenho um, mas durmo sempre com dois... se custar caro me acostumo com um só) e uma coberta – não passei frio, mas se tivesse esfriado um pouco mais talvez sim. Também pretendo comprar algo barato, óbvio.
Saudades da Celina, faltam 126 dias para vê-la de novo, caso ela não apareça por aqui. Depois reconto os dias para ver se errei, mas é por aí.
Sairei agora e baterei fotos!
Gostei da moeda... 1 euro e 15 centimetros, quando o cambio ta duro, mole deve ser uns 9 centimetros...
ResponderExcluirauehauehauheauh