sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pré show

Sem animação para escrever isto, mas tenho uma loira a quem quero agradar e dizer como foi o dia.
O dia começou cedo, acordei sete da manhã e novamente às sete e dez – os celulares Nokia costumam dar dez minutos de intervalo entre um bipe e outro – depois de apertado o botão de prorrogação do alarme. A aula começava oito horas e teria cinquenta minutos para chegar na aula, horário tranquilo. Fui para o banho e comi uma banana, peguei os sanduíches de Nutella que eu havia preparado na noite anterior e colocado num tapperware. Familiares sovinas: Nutella aqui é extremamente barato comparado ao Brasil e ainda por cima não é um copo, é um pote. Há o de copo também, mas não é essa a questão. Como estava cedo eu sabia que estaria bem frio, chequei a temperatura e escolhi uma de minhas jaquetas – a vermelha. Me tornei o ser mais chamativa da rua por estar de vermelho, aqui as cores escuras predominam nas vestes cotidianas. Às vezes me olham estranhando, mas não me importo, acho engraçado. Por mais que estivesse frio no caminho para a faculdade eu estava suando dentro da jaqueta. Inexplicável como num frio de cerca de oito graus e com vento eu estava suando. Não resisti e fui de camiseta, aí sim é que me tornei a criatura mais estranha das ruas de Porto. Como é legal ser estranhado por ser normal. Nota-se a ironia da frase anterior.
Cheguei na aula e o professor não era simpático – aliás: não é. Mas que seja, por ser aula de apresentação ela terminou rapidamente e fomos então à reitoria buscar uns ingressos para um show no teatro Coliseu. A funcionária das relações internacionais que lida diretamente com os alunos havia anunciado na noite anterior via e-mail que teria cinquenta ingressos para distribuir aos que primeiro chegassem. Iremos num grupo relativamente grande: Eu, Vanessa, Fernando, July e Viviane, brasileira formada em direito e que está cursando jornalismo e além de tudo fez intercâmbio. Não deixarei de citar que meu pai tem um conhecido que tem uma filha que veio para Porto também, ela estuda psicologia e também irá para o show de música e dança. Então se juntará ao grupo: Renata e uma amiga dela.
Ahhh sim, coisa que esqueci de citar: Estou com uma bolha no pé direito. Mais especificamente no dedo que corresponde ao anelar. Ela surgiu de tanto andar. Aprendi que: All Star só para dias em que não deverei andar. Até ela sair vai ser band aid enrolado no dedo.
Por sorte a funcionária que citei – Luisa Capitão – chamou outra funcionária das relações internacionais para nos dar o ingresso. Digo sorte porque ela é uma espanhola que mora aqui no Bairro Ignez, ficamos de lero e descobri que ela também irá ao show. Enfim, trocentas e duas pessoas vão para este show. Já já crio vergonha e pego o ingresso para dizer qual o nome deste evento que tanto falo.
Vi o nome: As Danças do Príncipe Igor Burodin.
Mas nem eu entrei no site ainda.
Enfim, depois da reitoria fomos comer no refeitório da faculdade de letras. É um pouco longe mas todos dizem que é o melhor lugar para comer dentre os campi da Universidade do Porto. Preferi no fim das contas comer a carne de gaivota da cantina da Faculdade de Direito. Lembrando que o prédio de jornalismo fica atrás do prédio de direito. O atendimento é demorado e a comida não é boa. O ambiente realmente é mais agradável, pois o prédio é bonito e grande, mas pelo menos hoje não estava bom. Preciso comentar como é o uniforme facultativo que a universidade oferece, lembram os uniformes do Harry Potter. Mas explanarei melhor quando tiver uma boa foto disso. Voltando ao assunto: Antes de entrar no refeitório há uma fila bem grande para retirar um ticket para pegar a comida. Deposita-se as moedas numa máquina e lá se escolha qual o prato da vez. Há quatro opções e a opção escolhida sai num comprovante impresso. Só aí se adentra o refeitório. Depois de ter-se montado a bandeja: pratos, talheres, pão, sopa, e uma sobremesa pequena é que se pega o prato principal. Dá-se o ticket e uma senhora monta para você. No refeitório de direito é só chegar no final da fila que já há vários pratos montados. Só se paga depois que a bandeja está toda montada. A comida estava ruim, era carne de porco e arroz. Para disfarçar havia também um alface. A carne estava ruim e numa quantidade desproporcional ao montante de arroz. Enfim, comer no restaurante popular de Curitiba é melhor.
Me separei dos colegas e voltei para o Bairro Ignez, precisaria estar às duas na aula e Psicologia da Comunicação, mas tinha combinado com o administrador daqui do bairro pagar um dinheiro que faltava pagar. Estava de certa forma atrasado, pois nunca nos encontrava-mos e durante o carnaval ele não apareceu.
Cheguei na aula em tempo. Mas antes contar um pouco de como foi a aula de rádio pela manhã. O professor de rádio não é o antipático que citei. Ele é um dos mais atenciosos e conversou muito conosco. Já tínhamos visto que a ementa de umas matérias se parecem com as que já fizemos no Brasil, rádio é uma dessas. Sabendo disso o professor ficou de conseguir para gente trabalhar na rádio laboratório da Universidade do Porto. Os horários seriam bem flexíveis e seria equivalente às aulas deste semestre no Brasil. Se isso der certo será muito bom. Inclusive porque já tenho muita prática em rádio, poderei mostrar qualidade e quem sabe chamar a atenção por lá. Pretendo chamar atenção sim, pois é uma porta para trabalhar aqui futuramente, mas claro que não vou ser descarado.
Voltando à aula de Psicologia da Comunicação. Foi o primeiro professor que não dispensou cedo a turma, deu as três horas que deveria dar. A matéria é interessante e parece bem puxada. Há nota por participação oral. Ele abra espaço para comentários e dúvidas para que essa avaliação ocorra. Como era o primeiro dia de aula desta matéria e aula de verdade todos estavam quietos. Como sou cara de pau e seja o que for, falei e comentei. Ele achou válido meu comentário que dividiu com a turma o trabalho que tive na Banda B. Ele estava comentando sobre a responsabilidade dos jornalistas na formação e na entrega de informação. O público da Banda B é bem diferente do que se vê aqui na Europa, mas acho que consegui explicar o contato direto com um público que não tem muita informação e a responsabilidade que eu tinha ao indicar o caminha certo para essas pessoas no quadro Sem Dúvidas, que era de minha responsabilidade. Depois que um intercâmbista comentou as pessoas se sentiram mais à vontade para falar. Não afirmo que fui eu quem quebrou o gelo, poderia ter sido qualquer pessoa. Mas tenho a impressão que dei o primeiro passo. Isso é irrelevante, mas tenho como compromisso nesse blog comentar muitas das minhas impressões.
Depois da aula liguei para a Celina e finalmente consegui falar com ela. Como minha namorada trabalha! Estava super corrido e ela em alpha, como costuma dizer. Enfim, este parágrafo ela é quem mais vai entender.
Cheguei em casa e comi pão com tudo que eu tinha para passar em panificados. Geléias, mel e nutella. So não passei atum porque já estava sem fome. Acho que não como mais hoje. Só amanhã. Falando em amanhã: Tentativa de lavar roupa. Camisetas e meias. Se alguma coisa der errado... copulou, para dizer com uma palavra esdrúxula algo que utilizam de forma esdrúxula.
Finalmente fiz exercícios com o peso. Nos dois últimos dias eu estava cansado demais para fazer exercício. Fiz hoje e pretendo retomar o ritmo de fazer uma vez no mínimo a cada dois dias.
Saudade da loira. A melhor namorada à distância do mundo. A distância pode ser de dois centímetros ou de 10.000.000 km, ela é a melhor namorada do globo. Claro que prefiro 2 cm. Se pudesse quebrava a lei de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Mas aí ela ia achar grude demais. Exagerei, mas é brincadeirinha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Famigerado 68+1


Francesinha

Aula morta em bom prol.

Meio cansado para escrever, mas vamos lá.
Não acordei para as aulas da manhã, pois meus colegas de jornalismo de Curitiba me convenceram que antes de possivelmente perder tempo com a matéria de Comunicação Empresarial deveríamos checar com a coordenadora co curso no Brasil se a ementa bate com a Comunicação Empresarial que fizemos no Brasil. Se for possível eliminar, melhor. Não perdi aula nenhuma ao deixar de ver esta, pois temos duas semanas para escolher as matérias e só então fazer a matrícula final.
Pela manhã fiquei aqui pelo Bairro Ignez mesmo, esperando o horário do meio dia, quando deveria estar na sala para ver uma aula. Como ainda estão acontecendo apresentações a aula teve só uns vinte minutos e então fomos dispensados. Houve uma aula de apresentação também que começou às duas, mas eu e meus amigos não comparecemos, pois havíamos ido para a Universidade Fernando Pessoa para fazer uma matrícula num congresso de jornalismo. O congresso é só em abril, mas será com jornalistas famosos daqui e que comentarão a comunicação na Europa. A inscrição custou 25 euros, mas valerá a pena – aliás o travesseiro de penas de cisne que 25 euros podem comprar. Dará mais sentido a um curso de jornalismo na Europa saber como é esse ambiente aqui. Descobrimos lá que só poderíamos ser atendidos duas e meia, estávamos com fome e ainda faltava uma hora. E já que estava lá sem fazer nada comi uma francesinha e meia. Francesinha aqui é um prato típico. Postarei foto ainda, mas se constitui de um ovo, pão, presunto, carne, salsicha e um tempero bem forte – mas que adorei. Como pedidos uma francesinha especial também acompanhavam batatas fritas. Cada um pediu sua bebida e começamos a comer – quando digo cada um me refiro aos brasileiros: Fernando, July e Vanessa. A July e o Fernando dividiram uma francesinha e não passaram fome, a Vanessa não deu no couro e só aguentou comer meia francesinha. Terminei o meu prato e ainda comi a metade da Vanessa. Fizemos então a matrícula e voltamos para nosso campus. No caminho passamos por uma tenda bem grande que fica em frente de uma estação de metrô que tínhamos de passar. Entramos e vimos vários livros, quase levei um do Truman Capote, mas eles não aceitavam crédito, só débito. Não pude pagar com dinheiro porque os 25 euros da matrícula foram bem mais do que eu imaginava. Estava sem dinheiro o suficiente. O curioso é que nos meio dos livros considerados comuns havia vários livros de kama sutra e quadrinhos eróticos. Além de livros de como fazer seu próprio porno caseiro. O instigante é que a idéia da tenda é fazer as pessoas comprarem livros para ler no metro. Contraditório, mas interessante.
Depois de rir da disposição dos livros voltamos ao Campus e tentei ligar novamente para a Celina, já havia ligado antes e novamente não consegui. Ela é difícil de se falar! O sex shop que citei anteriormente – 68+1 – fica perto da faculdade. Para passar o tempo que teríamos de esperar para a aula das seis horas fomos visitar o lugar. Vimos coisas inusitadas mas nada de tão variado. O artigo mais audacioso lá é um pole dance portátil.
Chegou a hora da aula e eu e a Vanessa fomos de elevador para o andar, enquanto a July e o Fernando – que já conheciam a velharia – foram de escada. Cheguei bem no andar certo, mas não há porta interna do elevador, quando ele sobe é possível ver a divisão de concreto dos andares e as portas do elevador que estão fechadas.
Chegamos então na sala e começou a aula. Como há uma estudante da Letônia o professor deu a aula de introdução em inglês, entendi tudo se dificuldade, mesmo com o sotaque luso dele. Essa é só uma das turmas que irei frequentar. Ainda conhecerei outras turmas e outros professores.
Voltei para casa e preparei meu último miojo. Estou realmente com saudade da Celina e não consegui falar com ela.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sola do pé

De todos os dias que já passei aqui este foi o que mais andei. Ao acordar fui lavar roupas, mas como ainda tenho receio de fazer besteira lavei – por enquanto – minhas cuecas na mão mesmo. Aqui não há tanque de lavar roupa, por isso improvisei algo similar na banheira – como aquelas ranhuras fazem falta. Depois de feito isso enfeitei a frente da casa com várias cuecas coloridas, tenho até de pimentinhas. Assim que fiz isso comi o atum que eu havia preparado ontem então foi a minha vez de ser lavado na banheira. Saí de casa para comer no refeitório da meu campus e deixei as cuecas para pegar do varal só quando eu voltasse. Eu pretendia encontrar meus amigos ao meio dia no refeitório. Eles já estavam na faculdade pois foram ver umas aulas, mas sem o compromisso curricular. Não fui ver estas aulas pois as verei em diferentes horários. Como disse no post anterior: não tenho aulas às quartas. Como tenho costume de chegar cedo aos pontos de encontro cheguei lá ao meio dia e meia. Para minha surpresa eles estavam deitados sob o sol e me esperando – não havia aula hoje. Eles haviam comido no refeitório porque estavam mortos de fome, moram mais longe e acordaram bem mais cedo para chegar à tempo. Eu estava com fome mas estava tranquilo ainda. E eles comeram mais cedo também porque havia um enxame de umas 60 pessoas que pareciam ser estudantes formandos de direito dentro do refeitório. Estranho ver formando no refeitório, mas era o que parecia.
A Universidade do Porto dá aos estudantes um vale de trinta euros para comprar um celular, fomos todos comprar na loja da operadora TMN, no centro da cidade. Peguei o celular da Nokia mais barato que havia – 34,90 euros. Paguei a diferença e agora tenho um número aqui. Não posso deixar de citar que antes de acharmos a loja no centro entramos num shopping bem vazio para procurar a loja, não encontramos, mas encontrei meu caminho. Dentro do vazio daquela construção há uma loja de mangás, quadrinhos e artigos otakus. De lá não comprarei nada por causa das diferenças nas edições que tenho à completar. Mas quando eu quiser me divertir olhando vitrines ou passeando em loja é para lá que vou. Enfim, comprado o celular fui comer – meus colegas me acompanharam ao restaurante Chimarrão, que já citei. Pedi o mesmo prato feito de antes e continuei sem pedir bebida, afinal eu possuía uma garrafa de uns 500 ml na mochila. Carrego essa garrafa comigo pra cima e pra baixo. Após comer os acompanhei no mercado Froiz, que fica no piso subterrâneo do Shopping da Cidade do Porto, o mesmo do Chimarrão. Eles compraram a feira da semana e eu um cortador de unhas – já que esqueci um novinho no Brasil. Era hora dos destinos se separarem ao menos no meio de transporte. Eu pretendia há tempos ir ao Arrábida Shopping, que fica logo após a ponte que liga Porto e Vila Nova Gaia, que é onde eles moram. No Arrábida eu precisava comprar um ferro de passar roupa e um alteres, para fazer exercício. O ferro há em qualquer lugar muquifento da Cedofeita, porém fiquei sabendo que havia um por cinco euros no Arrábida. Eles foram para o ponto de ônibus e eu fui descobrir um ponto de acesso para atravessar a ponte. Não queria pagar ônibus e queria andar à pé sobre a ponte. Voltei de ônibus pois não pretendia voltar uns 3 km à pé carregando um ferro de passar e 10 kg em alteres.
O interessante foi depois que achei o acesso de pedestre da ponte. Há uma calçada que fica à beira do asfalto e uma grade de um metro e meio para evitar que alguém caia facilmente, tudo normal até aí. Assim que atravesso a ponte e chego em Gaia descubro que a calçada termina na ponte. Do outro lado só há rodovias e com muito movimento. Não queria voltar de jeito nenhum, esperei uma hora boa e fui atravessando as ruas e pulando as muretas de proteção. E andando no acostamento sempre que possível. Segui reto sempre, até que avistei o Arrábida. Achei que ia acabar o incomodo, mas só aumentou. Achei normal ter grades protegendo o estacionamento, só achei bizarro ter grade o suficiente para seguir separando o bairro residencial que existem em frente ao Arrábida da estrada. Ou seja: eu estava preso no acostamento de uma quase BR porque havia grades cercando qualquer acesso ao bairro. E não andei pouco procurando um lugar para entrar. Avistei um morador de uma residencia trabalhando na horta de casa. Ele deixou a enxada para me responder com uma voz traqueostomizada como entrar no bairro.
- Vá neste sentido e passe pelo buraco na grade.
Pensei em evitar passar pelo buraco, já que se algum carro de polícia passasse podia não gostar. No Brasil não teria medo, mas aqui sou estrangeiro. Perguntei então se não havia outro acesso mais à frente.
- De carro?
- Não, no pé mesmo. E gesticulando duas pernas andando com o pai de todos e o fura-bolo.
- Não tem outro.
- ...
- O acesso é pelo buraco.
Agradeci e então desisti da idéia de ser civilizado. Se foram burros o bastante para não deixar nem alguém circular depois que sai de uma ponte com acesso para para pedestres não tinha de me esforçar para contribuir com o péssimo planejamento.
Entrei por um buraco na cerca, devia ter uns 0,4 m² de largura. Depois foi fácil entrar no Arrábida, já sabia a direção do Shopping. Antes de entrar avistei um ponto de ônibus que passam vários autocarros – como aqui são conhecidos – para voltar para casa, ou próximo. Achei então o ferro de passar roupa por cinco euros. Era o último da loja e por isso comprei o do mostruário, está funcionando e tem dois anos de garantia. Fiquei embasbacado com dois anos de garantia por um produto que custou só cinco euros. E além de tudo qualidade por preço baixo. Mesmo no Brasil não se acha um ferro por quinze reais que tenha tamanha qualidade e garantia. Não comprei o ferro de passar depois dos pesos porque não queria dar uma de João-sem-braço-mas-que-este-que-vos-escreve-ambos-os-tem-muito-bem-obrigado e carregar alteres de 10 kg pelo shopping. Antes de comprar o ferro eu já havia visto os alteres. Paguei doze euros e cinquenta centimos por uma barra de ferro de 2 kg, duas presilhas, quatro pesos de 1 kg cada e dois pesos de 2 kg. Fiz as compras e fui para o ponto. Independente do autocarro que venha de Gaia faz o mesmo caminho em Porto – pelo menos estas linhas. Peguei o primeiro que passou e parei junto à faculdade de letras, que fica cerca de 1,5 km da minha casa. Tive de andar bastante com os pesos, os problemas são as subidas, mas cheguei vivo. Assim que joguei tudo em cima da cama e os pesos no chão do meu quarto comi mais pão com atum de ontem. Bebi também muita água, mas enfim. Não fiquei parado e fui à Cedofeita fazer compras no mercado e na frutaria. No mercado Pingo Doce achei um galão de cinco litros de água por 49 centimos. Não compro de outra marca depois de achar este preço. Mais uma vez este preço barato provém da marca do próprio mercado. Comprei mais atum e maionese, um produto para limpar banheiro, geléia de cereja – para quando a de laranja acabar, pois a de amora já se foi, mel, pão e mais algo que não lembro. E na frutaria comprei bananas, somente. Voltei para casa e comi mais. E desde então estou lendo, conversando, escrevendo e na net, esperando notícias da loira – mesmo sabendo que não está no horário dela aparecer por aqui.
Parece que poderei fazer a matéria Gestão da informação para Comunicação, contanto que eu abandone Comunicação Empresarial. Então já é!
Ahhh sim, fiz brigadeiro para os gringos, mas vou servir gelado. Amanhã já estará gelado o suficiente. Então por hoje é só.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Blog aberto aos que quiserem comentar. Descobri recentemente que aqui os comentários estavam bloqueados. Aproveite e comente, ou o patinho morre,

Imperador de casa - aonde já se viu dono de casa?

Desta vez não me meti sob a água quando acordei. Diferente dos dois dias anteriores. Mas coloquei a casa sob água – dia de limpeza. Quando cheguei aqui o apartamento já estava bem sujo. Combinei com o Aris que limparíamos semanalmente, sendo uma semana eu que teria o trabalho e na seguinte ele. Teoricamente ele que deveria limpar esta semana, pois sou recém chegado e nada do que estava sujo aqui fui eu que sujei. Mas como este é o lugar em que vou viver por cinco meses, e na próxima semana haverá aulas e não terei muito tempo para limpar peguei no esfregão hoje. Havia algumas sujeiras bem difíceis de imaginar como Aris e o antigo morador produziram, mas limpei bastante coisa a mais do que teoricamente deveria ser limpado. Como por exemplo aquela armação de plástico que sustenta o esfregão de limpar o vaso sanitário. Primeiramente limpei o balcão da pia; fogão; pia; e etc. Entendi aquela sensação de: está um brinco. Em seguida a pia do banheiro; sanitário; e banheira. Descobri que futuramente lavarei o sanitário primeiramente, pois precisei sujar a pia e a banheira para limpar bem o sanitário – não me perguntem o porque desta espalhafatosidade para limpar um sanitário. E acabei de descobrir que a palavra “espalhafatosidade” existe e realmente escrevi do jeito correto na primeira tentativa. O chão já havia sido varrido por mim antes de começar na cozinha, era hora de esfregar o chão. Foi tranquilo, deixei o chão um espelho – opaco, mas deixei. Depois disso tudo fui jogar um saco de lixo fora e na volta uma família de portugueses que mora na casa mais próxima ao portão me parou e perguntou se eu era brasileiro. Ficaram conversando e a vó desta família me preparou um prato que lembra cremogema, e ela ainda adicionou açúcar queimado por cima. Preferia sem o açúcar - ou menos. Me perguntaram como a crise estava afetando o Brasil e falei que as grandes empresas como Sadia estavam demitindo, além do setor metalúrgico. Papo vai e papo vem eu levei o prato de cremogema para minha casa – com o compromisso de devolver a louça posteriormente. Comi e em seguida fui preparar meu almoço. Ovos mexidos com cebola e tomate e um miojo. Estou comendo bem na maioria das refeições, ovo e miojo periodicamente não vão fazer mal nenhum. Pretendo ainda me aventurar em um strogonoff. Hoje aco que faço brigadeiro para os gringos, e para mim, óbvio. Assim que comi tomei banho e fucei na net, li Musashi e fui ajeitar o cronograma das minhas matérias. Saí do Brasil com o equivalente a quarenta créditos educacionais para fazer, anualmente um estudante deve cumprir 60. Pensei em fazer quarenta em um único semestre para aproveitar melhor minha estadia aqui – que terá mais 154 dias. O organização dos horários das aulas na faculdade não me permitiram fazer quarenta, mas consegui me organizar para fazer trinta e cinco. Terei segunda de manhã livre, porém com a tarde ocupada. Terça terei aulas de manhã e de tarde. Quarta não terei aula alguma. Quinta será o dia mais puxado, com aula de manhã e de tarde. Às quintas terei de entrar às oito da manhã e sair sete da noite. Sextas terei aulas de manhã e pela metade da tarde. Segundas, terças e quintas terei algumas horas de intervalo entre as aulas, além das horas de almoço. Terei aulas práticas e teóricas de:

Atelies de Multimídia

Técnica de expressão jornalística para: TV; Online; Rádio; e Impresso.

Psicologia da comunicação

Comunicação Empresarial (Odeio isso)

Públicos e Audiências

Para conseguir fazer estas matérias tive de deixar de fazer Gestão da Informação para Comunicação. Parece mais interessante que Comunicação Empresarial, mas realmente não há outra alternativa para meus horários.

Com esses horários malucos acho impossível fazer um estágio por aqui, mas vou ver se consigo entrar em algum núcleo... como de fotografia. Minha relativa folga sexta de tarde e segunda de manhã vai me permitir viajar com mais tranquilidade nos fins de semana. Poderei aproveitar mais minha estadia em outros lugares. Acabei ainda nem indo para o carnaval de Ovar e nem para Braga. Vou tentar Braga neste fim de semana, vejamos. Amanhã me aventurarei em lavar roupas e em conseguir meu celular, além de ver se compro pesos para fazer exercício. Mas dependendo do preço eu faço academia no centro desportivo, mas teria de tomar metro. Eu estava ganhando uma boa massa muscular em Curitiba e não quero perder. Chegar mais forte para jogar minha namorada peso pena no ar e em seguida pegá-la num rodopio. Enfim. Já fazia isso, mas sinto falta de fazer.

Hoje de noite a previsão é de leitura das aventuras no japão medieval e net.


Faltam 154 dias.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carnaval sem festa

Ao acordar já me meti sob a água que agora sei porque começa a esfriar. Há um limite de água quente por banho. Depois de um tempo o reservatória para água quente se enche novamente. Isso é para desestimular muito gasto. Até que o tempo não é ruim, mas necessita de pressa para se tomar o banho. Comi uma laranja e fui para a reitoria, encontrar meus colegas de jornalismo da faculdade em Curitiba. Desta vez os encontrei e conhecemos muitos brasileiros que vieram estudar em Porto – mas diversos cursos. Ouvimos muito falar sobre o carnaval em Ovar, cidade ao sul de Porto. Demora-se cerca de trinta minutos de metrô para chegar lá. Combinei com meus colegas e irmos e só voltarmos amanhã de manhã. Mas como estou escrevendo isto, significa que não fui. Depois de sair da reitoria fomos à faculdade de letras cuidar da matrícula de uma colega. Contávamos com o refeitório de lá para saciar em especial a minha fome, que já ganhava a corrida em comparação com as demais. O atendimento à colega só poderia ser feito às duas e o refeitório estava fechado – véspera de carnaval. Fomos então comer num shopping próximo. Comi num restaurante chamado Chimarrão e que comercializa comida brasileira. Comi um prato feito muito bom por quase quatro euros. Não pedi bebida pois a latinha de refrigerante estava custando um euro e quarenta centimos, a água estava por volta do mesmo preço. Como estava acompanhado por amigos que eu sabia que pediriam bebida, esperei a oportunidade de beber do que eles haviam pedido. Talvez eles leiam isso, mas também não faço muita questão de esconder. Passamos num mercado chamado Froiz e comprei uma bolacha gigante e muito gostosa. Faltava uma bolacha para o famoso: de vez em quando. Ela é bem mata fome, mas não por ser grande, e sim pela difícil digestão. Precisávamos comprar um adaptador de tomada – o mesmo que precisei – para a minha colega Vanessa, mas ela precisava fazer a matrícula. Fui então para casa e eles foram cuidar da matrícula dela. Para unir a necessidade dela de um adaptador de tomada e a minha de um creme para combater a pele seca do meu rosto marcamos de nos encontrar num pondo da Rua Cedofeita onde há o chinês em que comprei o adaptador e uma farmácia. Fomos então á casa dos meus amigos. Fica numa cidade ao sul se porto – Vila Nova Gaia. É próximo e faz fronteira com porto. Como de Curitiba para Piraquara há também contato entre as cidades. Eles moram numa casa grande e com bem mais conforto do que o lugar em que estou, e ainda pagam mais barato. Mas para mim compensa muito viver no meio de um bocado de gente de fora e ainda poder voltar à pé para casa. No final das contas descobrimos que ficaria difícil voltar de Ovar para Gaia. Teríamos de esperar no mínimo até seis da manhã para voltar à Gaia. Como estou instalado e Porto eu poderia ter ido com o pessoa l do Bairro Ignez tranquilamente, mas preferi não. Há um comboio saindo de hora em hora de Ovar para o centro de porto. Comemos e ficamos nos divertindo jogando conversa fora, como fizemos com os brasileiros que conhecemos na reitoria. Voltei para casa cerca de oito da noite e só fiz deixar a mochila sobre a cama que fui conversar com as pessoas aleatórias que estavam reunidas nas mesas que ficam fora das casas aqui no bairro. Uma estudante francesa de medicina me perguntou sobre o Brasil, pois pretende ir para lá. Expliquei muita coisa do nordeste e do sul. No fim das contas retornei ao meu relento para esperar minha loira entrar no msn ou não. Só a possibilidade dela entrar já me move a esperar horas na frente desta telinha 10X15.

Frase do dia: Quem converte não se diverte.

Sobre como as coisas parecem baratas aqui até que se pensa em reais.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Domingo

Assim que acordei me meti sob a água e fui a um mercado chamado mini preço, fica mais perto que o Pingo Doce – que continua sendo meu preferido. Fui procurar um creme hidratante qualquer para minha pele do rosto, que está seca por demais devido a alteração de clima repentinamente. Tenho essa infeliz característica. Digo qualquer creme hidratante pois poderia ser qualquer um mesmo, acabou sendo um hidratante para mãos, o único de lá. Achei um achocolatado para colocar no leite, agora só falta manteiga para fazer brigadeiro para os gringos daqui. E para um almoço de despedida de uma garota aqui do Bairro Ignez comprei um refrigerante sem gás de maça verde – quase um suco.

Voltei depois de no caminho ligar para a Celina – que é aliás o único motivo de eu ter criado o blog. Assim a mantenho informada de tudo. Quem da família quiser ler, que aproveite. O almoço demorou mas a moça fez tanta comida para tanta gente que sobrou muita coisa. Ela também fez um brechó das coisas que não pretende levar. Comprei pilhas reservas, um tapete verde para meu quarto e dois potes de plástico com tampa. Reservei também dois panos de cozinha e um ferro de passar roupa bem pequeno, que serve para viagens – será meu ferro do dia-a-dia.

A comilança foi boa, estavam reunidos quase todos os jovens do bairro. Conheci gente que ainda não conhecia, um alemão e uma espanhola. Não estou muito animado. Não há muita graça nas coisas se não posso dividí-las com a Celina. Contar no blog só abafa a saudade. A única coisa que sinto falta no Braisl é da Celina. Pois aqui em Porto é muito bom de se viver. O paraíso é em qualquer lugar, contanto que se tenha a pessoa certa para se dividir os momentos. Me falta ela aqui. A comida não me faz falta, o clima não me faz falta, as pessoas não me fazem falta, as cidades não me fazem falta, o conforto que lá tinha não me faz falta. Só ela não está aqui.

Texto curto hoje, pois não há novidade alguma. Imagino que depois de umas duas semanas de aula já não terei novidades a contar. Mas tentarei manter este blog atualizado, por minha loira.

Só uma curiosidade:

Como comprei um jornal para ver como é não deixei de olhar os classificados. Nos anúncios de prostituição há fotos em quase todos os anúncios. E a maioria das fotos é de travestis. Algumas poucas fotos de homens ou mulheres.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Fundo de tela



Cone lúdico. Há cones normais, mas não são usados para o trânsito. Por que não cones de verdade?


Almoço do dia e o jostinha

Uma vida doce

Hoje de manhã não teve muita coisa útil. Acordei e conferi o capítulo semanal de One Piece, que demorou a sair. Assim que fiz isso tomei banho com a temperatura da água variando de fervente à congelante, normal neste chuveiro – se continuar assim vou trincar. Em seguida fui novamente ao Pingo Doce, desta vez comprar sal, óleo, amaciante e um sabão para esfregar nas roupas – ainda não lavei roupa, tentarei terça ou segunda. Comprei também pilhas para minha cãmera fotográfica digital compacta de quase dez anos. Lembrando que antes mesmo de conferir One Piece eu abri o gmail para ler as palavras da minha loira. Antes de falar como foi o dia vamos ao
quadro:
Coisas que esqueci de citar -
Já passei pela frente de um sex shop daqui. Não sei se generalizo... mas aqui em Porto os sex shops expões os vibradores nas vitrines.O nome deste sex shop em questão é assim escrito: 68+1. Dizem às vezes: rir para não chorar. No caso a opção é: rir ou gargalhar.
Não tem muita gente bonita por aqui. Há mais homens bonitos que mulheres bonitas. Ninguém aqui deve ter sido o gordinho da turma, pois são todos magros. Os que não são magros ostentam pouca barriga.
Voltando ao texto:
Eu havia combinado de marcar um horário para me encontrar com meus colegas de Curitiba que estão aqui também. Fazem jornalismo na minha sala. Então quando voltei do mercado liguei o jostinha e entrei no msn, marquei duas e vinte em frente à reitoria. Tinha tempo de sobra, então fui fazer o almoço.
Receita de um breve almoço para quem está vivendo como solteiro mas namora à distância:
Prato de hoje – Ovo com vinagrete, sem vinagre, e miojo de picanha..
Ingredientes: Dois ovos, um quarto de cebola e meio tomate. Um miojo à gosto.
Primeiro passo: Tire a casca de uma cenoura. Sim, para ir mordiscando enquanto a refeição é preparada.
Modo de preparo:
Separe tudo o que será preciso – Panela, frigideira, escorredor, talheres de prato e de cozinhar, um prato e uma tábua de corte.
Pique meio tomate e um quarto de cebola. Não se importe com o grande tamanho que os pedaços tomaram forma. Que graça há em deglutir e mastigar algo que pronto para engolir?
Haja como inexperiente e comece preparando o ovo primeiro, com óleo em demasia na frigideira – por acidente, óbvio. Não pense em jogar fora o óleo, é caro e você já comeu coisa pior. Quebre os dois ovos, um por vez e despeje, o que um dia seria uma galinha, na frigideira. O óleo em demasia vai reagir com o calor e o ovo deixando marcas de bravura em sua pele. Parabéns por ser corajoso e ignorar respingos ferventes. Lembre-se de já ter deixado a água para ferver na menor boca de um fogão com três bocas.
É essencial deixar parte do ovo no ponto, parte meio crua e parte passada. Um compensa o outro. Feito isto pesque com o garfo o ovo no mar de óleo – para evitar tanto óleo pegue uma frigideira com menor área – e repouse sobre o prato. Bote a frigideira na pia, e coloque imediatamente a água na boca grande, para acelerar a ebulição. Enquanto aguarda o rápido processo mordisque a cenoura e misture a cebola e o tomate com o ovo, só aí lembre-se de por o sal. Nessas alturas a água já está fervendo, quebre o miojo em dois e despeje na água. É importante não colocar o tempero na água, seja corajoso e deixe aqueles ácidos que estimulam as papilas gustativas agirem diretamente sobre sua língua. É a minha preferencia não colocar o tempero na água.
No prato já deve estar reservado metade da área para comportar o macarrão, a outra deverá ter sido ocupada pelo ovo.
Faça movimentos de inverter o lado da panqueca com o escorredor de macarrão, assim que a massa estiver nele, para se livrar da água. Do escorredor coloque o macarrão no prato e corte em vários pedaços – fica mais fácil de pegar com o garfo. Despeje então o tempero que veio no pacote de miojo – não empere antes de cortar, haverá perda de tempero.
Coma à vontade, nem tão à vontade porque a comida acaba. Digo à vontade é sem preocupações. Não pense demais no gosto do ovo, assim o bom sabor aparece, garanto.
Depois de tudo isso lave a louça,mas só a sua. Não a que o seu colega de apartamento deixou na pia. Lave também um pano de prato que você adotou como prato de pão – é só jogar os farelos na beira do rio depois.
Enfim, fim da receita de hoje.
Saí mais cedo que duas e vinte para poder ligar para minha namorada. Consegui falar com ela – foi bom poder ouvir a voz dela novamente. Não consigo esquecer dela em nenhum momento. Assim que terminou o telefonema sentei em frente à reitoria. Não vou descrever minha espera, só digo que esperei até duas e cinquenta e cinco e nada dos meus colegas aparecerem. Uma vida sem bolo não é uma vida doce. Pensei: que se fodam se aparecerem agora. Leitor, não me recrimine por pensar assim, ninguém gosta de esperar. Fui andar aleatoriamente pela cidade. Andei muito. Fiz questão de não me localizar, de sair solto. Só sabia em que direção mais ou menos ficava minha moradia. Assim acabaria conhecendo mais coisas além do que conheceria com um roteiro planejado. Foi interessante, preciso fotografar algumas coisas. O comércio é muito intenso em qualquer tipo de rua por aqui – vielas ou avenidões. Não fotografei porque as pilhas que eu havia comprado são péssimas e mal deram bateria para minha máquina fotometrar. Vou seguir mais o ditado: o barato sai caro. Tive de comprar pilhar novas, desta vez alcalinas. Ontem comprei um jornal para ver como que eram os jornais daqui e vi que estava tendo um show do Stomp, acho fantástico o que fazem com o que quer que seja. Fiquei com vontade de ver e hoje por sorte passei no Coliseu, o teatro em que estão se apresentando. Mas nem fui perguntar o preço para estudante porque havia gente demais nas filas. Demais mesmo. Hora de voltar, fiquei perambulando randomicamente por Porto, pelo menos na direção em que eu sabia ser a região em que estou morando. Qualquer coisa eu tinha um mapa na mochila. Andei muito, por um momento cheguei a pensar em consultar o mapa mas tive uma surpresa ao ver que eu estava no fim das contas em frente ao 68+1. Me senti em casa, não que ao avistar sex shops eu tenha esse sentimento, mas já sabia voltar direito. O curioso é que o vibrador mais espalhafatoso não estava mais na vitrine. Era um que penetra por dois lugares e ainda há um estimulador de clítoris. Não fiquei parado na frente da loja para reparar isso, mas o negócio era desproporcional ao ser humano e vermelho! Alguma lusitana (imagino) vai se divertir neste fim de semana. Enfim, voltei para casa pela Cedofeita e assim que cheguei já comecei a escrever isto. Quer dizer, antes conversei com o Thales sobre atender clientes e ouvintes lelés.
Por enquanto é só. Vou só descrever umas coisas gerais da cidade.
No momento aqui há muitas construções, eu achava que era só no bairro em que estou. Mas não é, quando fui para a praia pude perceber os mesmo guindastes de construção que pude ver aqui. Estão espalhados em grande número pela cidade. Se a crise está aqui, não está na construção civil. Sobre o clima e pessoas: Não interessa o sol e nem o calor que pode fazer durante a tarde as pessoas daqui não tiram a jaqueta, moletom ou blusa. Nem arregaçam as mangas. Hoje, que andei de camiseta por muito tempo vi somente alguns que chegaram a abrir o zíper da frente da jaqueta. O povo daqui é magro porque cada um veste uma sauna, só pode.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Arte à beria-mar


Banco de conversa - achei ótima a idéia


Smart Sedã



Smart, jeito smart de estacionar

Dia de Matrícula

Coisas que esqueci de citar:


O único carro de auto-escola que eu ví aqui tinha uma plotagem de chamar, como aqueles carros tunados costumam ter. Faz sentido, pois tanto carros tunados quanto carros de auto-escola estão acostumados a zunir o motor.

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Não pretendo mais comprar uma bicicleta, seria até bom; mas aqui há ladeiras demais e estou bem com a sola do pé. No lugar comprei um travesseiro novo. Quando cheguei aqui já havia um, mas costumo dormir com dois – sempre. Sei que com o tempo me acostumaria, mas até lá as noites seriam como as de hoje: acordando de tempos em tempos. Custou só oito euros – era o segundo mais barato da loja. Digo “só” oito euros porque é um preço por boas noites de sono.

Não pretendo também comprar mais uma coberta – não custam muito caro – mas achei no armário um lençol bem grosso da última pessoa que esteve aqui. É na verdade um lençol de colchão que também serve como saco de dormir, mas estou usando como lençol. Comentei ontem a fama da pessoa que ocupava meu quarto, mas estava cheiroso até. Pelo jeito a tendencia não é esfriar, mas se ficar mais frio que na noite de hoje será bom ter mais um cobertor.

Acordei recuperado do sono e tomei um banho que me acordou mais ainda. Não sei o motivo que fez com que o aquecimento do banho não funcionasse – detalhe: no meio do banho. Terminei o banho no frio mesmo. Não sei se foi bem esse o motivo de minha mão ter ficado com a palma rocha, deve ter sido. Já estou em cores normais. Fui então à faculdade de letras resolver minha matrícula, mas desta vez usei um atalho – rá! Já estou sabendo andar por vielas. Ao lado da faculdade de letras há um bairro residencial, e ontem circulei por ele para chegar na entrada principal do prédio. Mas hoje resolvi entrar pelo bairro até achar uma entrada secundária. Há de se circular o bairro porque ele é elevado uns dez metros da rua que o circunda. Só percebi uma rua de acesso e há várias escadas espalhadas no paredão que ergue a quadra inteira. Subi pela rua e lá dentro percebi que aquilo tudo havia sido feito por cima de o que um dia devia ter sido um forte. Havia algumas partes do que eu julguei ser um forte dividindo espaço com os carros e casas. Ontem, quando circulei o paredão havia uma fonte saindo da parede de pedras, sob ela uma caixa de concreto – a caixa estava vazia e mesmo assim vazava um fino fio de água que descia pela calçada até, por sorte, encontrar um buraco que dá acesso ao subterrâneo. Mas hoje a caixa estava cheia e vazava por todos os lados, fazendo uma mini torrente de água na calçada. Talvez aquela fonte, que tem afixada sobre ela uma placa que diz que ali há água imprópria para consumo, seja uma forma de escoar a água daquele bairro inteiro. Não me pareceu ser o esgoto, não havia cheiro. Mas enfim, achei facilmente uma entrada secundária para a faculdade e lá me achei para fazer a matrícula. O prédio é lindo, mas meio confuso. Aliás um dos poucos prédios com cara de novo por aqui. Uma coisa beeeeeeem de lusitano: uma escada que começa no segundo andar e termina no último, quem quiser subir de escada para os outros andares tem de achar outra escada para chegar no primeiro andar para só então pegar aquela. Detalhe: a escada que começa no primeiro andar também vai até o último. Mas para quem quer ser simples: há elevadores – que devem ir para todos os andares, deduzo. Isso descobri porque andei de feliz pelo prédio, eu tinha de resolver minha matrícula no térreo mesmo.

Acabei de voltar da praia, ainda conto como foi que parei lá e como foi que voltei, mas por enquanto continue a ler este texto interrompido pela minha visita ao mar de Porto.

Voltei para o alojamento e naveguei um pouco pela net, estava esperando uns vinte minutos para então sair e ir ao refeitório da faculdade comer. Hoje o cardápio não tinha carne de gaivota. Dentre os três pratos feitos que se pode escolher hoje peguei um rizoto. Que delícia! Um sabor anormalmente bom para restaurantes universitários. Desfrutei do almoço, que não tinha nenhuma fruta – mesmo desfrutado. Na volta saquei uma quantia em euros para pagar a estadia no Bairro Ingez, há inúmeros caixas multi-banco por toda Cedofeita. É bem tranquilo achar caixas.

O curioso é o outro lado da rua. É dez metros abaixo do nível do asfalto. Há uma parte aonde fica uma casa só e com vários andares de diferentes culturas vegetais e mais adiante um aglomerado de casinhas. É linda essa fossa cheia de casas e plantações.

Durante o dia de hoje tentei ligar inúmeras vezes para a Celina, mas em nenhuma ela atendeu. Ahhh namorada sumida, quem viaja sou eu e ela que desaparece – mas até quando eu estava no Brasil ela resolvia ignorar a existência do celular.

Na volta ainda comprei mais frutas, para todo fim de semana caso eu não vá de supetão para Braga. E servirão também para caso eu for e volte com fome. E posso levá-las também – ora pois. E só então fui comprar meu travesseiro. Na Cedofeita é fácil comprar as coisas.

Quando eu cheguei em casa e comecei a escrever este texto, deitado sobre o sofá, é que a francesa passou pela minha porta e me convidou para ir à praia com mais duas pessoas daqui. Desliguei na hora o jostinha (meu lap top) e fui! O nome da francesa é Linda dos Santos, ou da Silva.. não sei. Ela tem os ascendentes lusitanos. O nome da outra garota e do garoto que estavam conosco eu não sei. Não tenho cara de perguntar nomes novamente. Pensei que iríamos de ônibus, mas assim que passamos pelo portão do bairro a Linda tira uma chave de carro. Ela tem um furgão à Mistery Machine, do desenho Scooby Doo. Só que só há bancos na frente, comportando três pessoas, fui num sofá que ela instalou na traseira do furgão azul. O interior do furgão é todo decorado com fotos aleatórias e um pano gigante – encobrindo por inteiro uma das paredes do furgão – com ilustrações que retratam a vida humana na África. Também havia um carpete encobrindo o chão do veículo. Assim que entrei no furgão percebi que ela consumia algum tipo de droga, não pela decoração... mas pelo aspecto. Naquelas alturas eu não ia desistir de um passeio na praia.

Sempre que havia carros da polícia – que não são poucos por Porto – eu tinha que me abaixar para não ser visto. De música botaram para rodar um cd do Blur – que por sinal é uma das minhas bandas preferidas – e descemos pelas estreitas ruas das redondezas do Bairro Ignez. Parecia uma montanha russa, passar com um furgão destrambelhado por vielas que eu teria dificuldade em passar com a S-10 que dirijo em Curitiba. Chegamos na praia em Matosinhos, já não era Porto. Ela estacionou o furgão e descemos todos, caminhamos um pouco para a praia (estávamos todos com jeans e blusas) e me diverti conhecendo as areias daqui, dei uma de turista e fotografei muito – cheguei a diminuir a resolução da minha máquina para que coubessem mais fotos (coisa que como pseudo-quase-fotógrafo-profissional-mas-que-não-trabalha-ainda-com-fotografia não admito fazer). Sentamos na areia eu e as duas garotas, o moço encontrou um povo conhecido e foi conversar. Mal sentamos – eu meio quieto – a Linda explicita que são drogadas (ela que se identificou como drogada, com esta palavra mesmo). Eu já havia percebido pelo jeito dos três no furgão. Disse que não consumo mas não tenho nada contra. Até tenho muita coisa contra sim, mas não era hora de dizer sim. Percebi que na praia – ao menos naquele ponto – há muito consumo à céu aberto de drogas. Fui passear enquanto as duas fumavam. Fui fotografar uma obra de arte imensa (pode ter certeza que é mais imensa do que você, leitor, imaginou) que eu adorei. Em seguida fui ver o que havia num forte próximo. O forte é relativamente novo, com 350 anos – lá funciona hoje um museu de armas em homenagem à polícia portuguesa. Não são armas velhas, chega a ter um torpedo pequeno e pequenos mísseis. Voltei novamente para perto da obra de arte e telefonei para a Celina, que infelizmente não atendeu. Quando voltei para a areia não avistei as duas. Demorei no passeio mas não era motivo para não estarem ali. Fui ver se o furgão ainda estava lá. Qualquer coisa eu tinha em mente voltar de ônibus, não seria difícil. O furgão estava lá, então voltei para perto do ponto onde elas estavam e fiquei observando a paisagem por um tempo. Nem o rapaz estava junto com os amigos drogados. Logo as duas apareceram e me viram. Estavam tomando um café e fumando junto com mais três rapazes. Lá há como se fosse um shopping à beira mar. O térreo é só comes e bebes, os outros dois andares compões uma mega academia. O surf é intenso mesmo em dias de frio naquela área. Me sentei com eles, que passavam um cigarro de maconha não muito discretamente um para o outro. Me neguei a fumar. Fui ligar novamente para a Celina, mas sem exito – o que é preciso para falar com ela?! Voltei e já haviam consumido a droga. Eu estava meio quieto, deixei de querer ficar ali. Se alguma coisa grave acontecesse eu seria possivelmente deportado, eles sendo todos europeus seriam no máximo presos – imagino. Antes de ir embora fumaram mais um à beira mar e voltamos são e salvos, mesmo com uma condutora alterada.
Enquanto estive na praia pude perceber algumas coisas:

Já ouviram falar daquele carro Smart? Há muitos deles por aqui, e me faz vontade de ter um. Cabe em qualquer buraco de agulha. Postarei fotos de um Smart sedã e um Smart convencional estacionado de forma realmente smart.

Duas besteiras lusitanas:

No banheiro masculino os mictórios (aqueles na parede) ficam rente à porta do banheiro, não há divisória. Em frente à porta do banheiro masculino está a do banheiro feminino. Já deduziram o que pode acontecer se um homem e uma mulher saírem do banheiro ao mesmo tempo? Não? A moça vai poder ver com facilidade todos os homens empoleirados nos mictórios – sem divisória entre eles até.

Aqui não há cones de trânsito. Aqui há uma forma lúdica de cone. Há uma base amarela com duas fendas se cruzando no centro da base. E encaixado em uma dessas fendas vai um plástico em forma de triângulo. O plástico tem as cores: branco e laranja. Min há pergunta: Por que não um cone? Tirarei fotos disso ainda.

Cheguei com relativa fome e vou fazer ovo para mim. Com tomate e cebola. Ahhh sim... quando eu voltar ao Brasil é capaz que eu leve uma geléia que comprei no Pingo Doce. São 350 gramas, e para cada 100 gramas 45 são de fruta. Ou seja: 45% da geléia é de fruta. É extremamente boa e suave – e barata! Comprei de amora e laranja, para a Celina levarei uma de morango.As comidas aqui tem outra qualidade. Se é comprada geléia dentro do pote é geléia, diferente dessas da Turma da Mônica que mal e mal possuem um sabor artificial. Enfim.

Saudades da moça que de tanto trabalhar não me atende.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


fotos


Primeira noite depois de uma manhã

Estou com sono, e não são nem oito da noite.
Coisas que deixei de citar:
Aqui há emos. Só que são um pouco diferentes dos do Brasil, eles choram em com o sotaque lusitano.
Havia uma Mercedes caríssima, até mesmo para os padrões daqui, tocando Ivete Sangalo em volume muito alto.
Lenine vai fazer um show aqui. Simplesmente tenho asco do trabalho dele e ele aparecerá em Porto... tinha tanto lugar no mundo...
O garfo da cantina da faculdade é tão reto e sem curvatura quanto uma faca.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Saí então para fazer a matrícula de jornalismo, cujo prédio fica atrás da faculdade de direito, lá na faculdade de letras. Estranho ter de fazer a matrícula lá. Sei que é porque envolve letras, mas botam a gente para bater perna! No caminho avistei mais uma loja chinesa! A terceira. Mas enfim, se não vendem pastel não há o que comprar lá... por mais que uma loja chinesa tenha me vendido o adaptador que me permite colocar esta jostinha de lap top na tomada. Na volta me deu uma fome sem explicação, mesmo para quem estava andando o dia todo. Da faculdade de Letras (a matrícula só farei amanhã no fim das contas) voltei para casa com a fome aumentando a cada passo. Não tenho motivos para passar fome, comi bem e comprei frutas no mercado. Chegando aqui comi duas das bananas que comprei – elas são muito mais gostosas que no Brasil – e duas das três laranjas. Descasquei as laranjas com uma faca gigante (aqui temos poucos talheres, e menos ainda afiados) e as comi. O curioso é que são extremamente mais gostosas que no Brasil. Provavelmente porque são tipo exportação. De pegar a laranja na mão a pressão já fazia ela pingar suco. Devo ter tomado o equivalente à três caixas de vita-c nessas duas laranjas, e como eu as havia deixado no frigobar... estavam tão geladas quanto gelo.
Fui então ligar para minha loira. Usei um cartão internacional que dá direito a usar o telefone por noventa minutos, e paguei cinco euros no cartão. Achei um preço bom. Gastei somente quarenta centimos de euro conversando com a dona das minhas saudades.
Não sei se vou para Braga ou para outra cidade que o povo daqui me chamou para ir – querem ir olhar o carnaval. Braga vai ter pessoas que terei conversas mais divertidas e que podem me orientar um monte. Na cidade aleatória aí vou para ver um carnaval lusitano. Não sei qual rende mais. Mas tenho pendido por Braga. Decidirei ainda. E outra coisa que consegui do pessoal daqui é um celular, a moça cuja nacionalidade ainda é uma incógnita para mim vai embora dia vinte e seis – poderei comprar no dia vinte e cinco o celular dela por sete euros. O ship a escola cedeu. A universidade deu também um vale compra de trinta reais para aparelhos telemóveis, como aqui chamam. Só há um porém, os vales estão vendicos desde o fim do ano passado, pois a empresa não enviou novos e nem renovou os antigos. Vou tentar usar o vale vencido, o máximo que podem dizer é não. Mas acho que vou ficar com o celular da moça que acredito que nunca saberei a origem.
Fui finalmente ao mercado, mercado de verdade. Mas nada de super. Ele seria o equivalente à Piegel, em Curitiba. Com onze euros e novena e cinco centimos dá para comprar muita coisa, principalmente se for da marca do próprio mercado – Pingo Doce. Não há um só produto que o Pingo Doce não ofereça um similar e mais barato, economizei muito com isso. E são e boa qualidade. Ao menos neste mercado me cobraram dois centimos por sacola plástica, peguei três. Não fiz muita questão de pagar as sacolas porque ao invés de sacos de lixo estou usando sacolas para tudo. Mas claro que vou levar tudo na mochila da próxima vez, e só quando precisar de sacolas comprarei.
Tirei algumas fotos do Bairro Ingnez e do meu apartamento, postarei no blog.

Primeira manhã

Coisas que esqueci de comentar nos textos anteriores:

Assim que cheguei, ainda quando arrastava a mala, percebi que aqui não chovia havia algum tempo, pois havia uma teia de aranha imensa dentro de uma boca de lobo. Eu estava certo, fazia quase uma semana que não chovia. O tempo está ensolarado, mas meio frio.
Além dos veículos automotores comuns em qualquer cidade grande aqui há os elétricos – os conhecidos bondinhos. Pelo menos no centro velho da cidade, que é onde estou, as calçadas e até as praças são cortadas por trilhos de bondes. No meu primeiro dia aqui (ontem) quase fui atropelado por um bonde. Dizer que quase fui atropelado é certo exagero, ele estava vindo na minha direção havia algum tempo em verdade, mas o percebi vinte metros antes do que seria um choque contra minha pessoa. Acho que estava distraído olhando a cidade.
Há alguns modelos de carros que possuem os mesmos nomes dos que circulam no Brasil, mas são diferentes. O Punto por exemplo é um destes carros, aqui há dois modelos de Punto. No Brasil somente um. É clara a diferença entre o modelo mais antigo e o mais novo (que é o que circula no Brasil). O modelo antigo lembra uma mistura de Palio com traseira de Kombi amassada.
Já citei que tenho saudades da Celina? Acho que já. Mas cito novamente. Como ela faz falta.
O Ares faz umas maquetes de isopor, e chama o material de esferovitas. A escrita deve ser esta. Esfera e Ovitas. Faz sentido, afinal o isopor é um aglomerado de pequenas esferas, ou ovitas como preferir. Mas prefiro chamar por isopor, que vem do fato de ser um material poroso. Tanto assim que a cola de esferovitas dele chama-se: Por

Ontem de noite jantei com dois italianos e três italianas, eu jurava que uma destas três era espanhola, pois quando tentava falar o português falava com um carregado sotaque espanhol. Ou ela é espanhola mesmo e quando fala italiano o fala bem. Ou é alguma coisa que ainda nem imaginei, pois ela é uma incógnita. Se ao menos lembrasse o nome dela... porque minha memória é péssima para nome de muita gente em tempo curto.
O jantar foi legal, massa feita por italianos. É incrível como isto fez diferença no sabor de um macarrão caseiro. Eram duas pastas, uma com molho apimentado de tomate e outra com um molho branco e grão-de-bico. A conversa foi toda em italiano, mas como não falo apenas ouvi e percebi até mais do que pensei que fosse perceber. Vez ou outra paravam tudo e me diziam o resumo da conversa, algumas vezes eu sabia do que se tratava a conversa e até comentava algo depois do resumo. Mas enfim, descobri algumas fofocas, bafos e afins do Bairro Ignez. Prefiro chamar estas fofocas de informações úteis para a sobrevivência. Devo:
Evitar uma senhora beeeeeem idosa. Ela é meio fora de si e quando começa a alugar o ouvido de alguém não pára. Relevem esse acento no “pára”, não é fuga da nova regra gramatical, é apenas nostalgia. Dizem que ela chega ao ponto de entrar na sua casa para ficar conversando, mesmo se quem estiver dentro estiver trabalhando ou dormindo. Aqui todas as portas ficam abertas quase o dia todo, dentro do Bairro é bem seguro. O que é um motivo preocupante para quem quer evitá-la. Segundo recomendações dos italianos devo inventar um sotaque e dizer que não entendo português, acho que seguirei esta linha. Há quase um alerta de segurança para que todos fechem as portas aqui no bairro. A senhora teve um AVC e agora anda arrastando os pés, quando escuta-se este som as portas devem ser fechadas – assim indicam os italianos. Assim como o sotaque, seguirei esta linha. Já lidei demais com gente inconveniente na Rádio Banda B, mas eles eu era obrigado a tratar, pois eram os ouvintes.
Não conversar demais com um homem que é garoto de programa. Dizem à boca pequena com sotaque italiano que ele faz qualquer tipo de trabalho, qualquer mesmo. Ninguém tem nada contra ele, mas sempre pé atrás.
Há um homossexual morando numa das casas. Nada contra também, mas o conselho é o mesmo que o do garoto de programa. Pé atrás, até para evitar que ele se insinue com segundas intenções. (Qual foi o heterossexual que quando levou uma cantada de alguém do mesmo sexo se sentiu bem? Eu pelo menos não me senti e não conheço quem tenha sentido).
Esses foram os principais conselhos de sobrevivência. Fiquei sabendo também que o antigo colega de apartamento do Ares era um galináceo que já visitou garotas de todos apartamentos do bairro. E que no mínimo duas já trouxe para dormir na cama onde atualmente eu durmo. Falaram tudo isso em clima de brincadeira, óbvio. Já faz três meses que o antigo companheiro de apartamento do Ares saiu desta casa, mas brincaram que há microorganismos muito resistentes. Falei que mesmo trazendo roupa de cama na dúvida colocaria meu colchão exposto ao sol. Rimos muito ontem.
Voltei para casa o equivalente às sete e meia da noite no Brasil – dez e meia aqui. Entrei no msn para esperar minha querida, ela demorou, mas esperei ao ponto de só dormir uma da manhã, só depois de falar com ela.
Nota: Percebi agora que gasto um grande tempo digitando. Já se passou cerca de uma hora
desde que comecei a digitar isto – isso porque dou uns intervalos.
Ao acordar tomei banho e fui para a reitoria da Universidade do Porto cuidar da matrícula na universidade, ainda precisarei me matricular no curso. Já tenho carteira de estudante, o que me permitiu almoçar no restaurante universitário – cantina. Por dois euros e quinze centimos (como aqui chamam os centavos) comi bem. A comida era toda fácil de identificar do que se tratava. Um arroz feito à rizoto, uma sopa de legumes e um pedação de carne que ainda penso qual a origem animal teve aquele pedaço. De boi não era, de peixe não, e muito menos de porco. Confabulo teorias diversas, a última é que no cento velho há muitas gaivotas por causa do porto. Sabe-se lá.
Descobri que a cidade do Porto tem dois mil e oitocentos anos. Mas ainda pretendo confirmar isto no Wikipedia.
Quando eu estava esperando na reitoria para efetuar a matrícula chegou uma moça de tez escura acompanhada de um lusitano já mais velho. Ela é brasileira, de São Luís do Maranhão, e vai estudar direito. Fiquei conversando com o lusitano mais velho sobre como a burocracia é uma forma de controle social. Descobri no fim das contas que ele foi visitar o maranhão e lá conheceu a estudante brasileira e agora ela está aqui com ele. É um daqueles casos em que um estrangeiro bem mais velho vai para um país mais pobre e trás consigo uma mulher nova, em idade também. Mas esse fato é o menor pormenor e também não tem nada a ver comigo, a conversa foi interessante.
Meu horário de ir fazer a matrícula na faculdade de letras para poder cursar jornalismo já chegou. Contei tudo o que eu queria...
Ainda não:
Comprei um galão de cinco litros de água por um euro e cinco centimos. Um plástico de um litro de detergente para louça por um euro e quinze centimos. O que me espantou aqui foi o preço das esponjas para limpeza: vendem-se por unidades e cada uma por meio euro. Já imaginou pagar um real e cinquenta por esponja de lavar louça?
Tenho de ir à um mercado grande, ver se acho um travesseiro barato (já tenho um, mas durmo sempre com dois... se custar caro me acostumo com um só) e uma coberta – não passei frio, mas se tivesse esfriado um pouco mais talvez sim. Também pretendo comprar algo barato, óbvio.
Saudades da Celina, faltam 126 dias para vê-la de novo, caso ela não apareça por aqui. Depois reconto os dias para ver se errei, mas é por aí.


Sairei agora e baterei fotos!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dia em Porto

18.02.09

Mal cheguei e conheci o lugar fui procurar por coisas na cidade: Mercado; Universidade; Um bom lugar para comer se precisar; Frutaria; Loja de telefone; Orelhão.
Descobri um meio mais fácil de chegar ao Bairro Ignez, através de uma escada de pedra que dá direto na Rua da Restauração. Entrei na rua e segui reto, com meu mapa na mão. Fui até a praça em que o ônibus me deixou para dali ter meu ponto de partida. Qual não foi minha surpresa? Dei de cara com um prédio da Universidade do Porto – era a Reitoria. É um prédio bonito, como quase todos daqui. Mas este por sua vez é gigante. Adentrei e avistei uma lojinha com materiais com a logo da Universidade. O curioso é que há de tudo, desde binóculos até guarda-chuvas, passando opor cadernos e material escolar normal. Comprei um guarda-chuva, afinal pode chover e veio na hora cerca a aparição deste item, estava pensando em comprar um. Perguntei, como quem não queria nada, para a atendente como chegar no campus de jornalismo. Ela não sabia me indicar e por isso pediu para que um segurança chamado Felipe me indicasse. Depois das instruções perguntei também onde eu poderia encontrar um adaptador para o cabo do lap top. Pois a bateria havia acabado e todas as tomadas daqui são com encaixes redondos e dois pinos, sem entrada para outra forma de encaixe. Demorei para achar um adaptador, mas isso eu conto já já. Felipe já foi para o Brasil e ficou brincando ao se lembrar das bebedeiras da Oktoberfest. Assim que consegui as informações eu voltei para casa, era hora de arrumar as malas e tomar um banho - já estava vencendo um prazo de 24h. Arrumei todas as roupas e etceteras que eu trouxe e fui para debaixo da água, ao menos assim pensava que iria ser meu banho. Há uma banheira, não um simples ralo e chão. Das torneiras de quente e frio sai uma mangueira de metal que conduz a água até um distribuidor de plástico dos gotejos de água. Pensei que tomaria banho de gato pelo resto da minha estadia aqui, afinal seria molhar com a mangueira e então ensaboar e molhar novamente. Mas depois de um tempo me toquei que havia um suporte no alto de um dos cantos, e com um formato estranho. Era um encaixe para este distribuidor. Fiquei feliz ao saber que eu tinha um chuveiro.

Mas ainda enquanto eu estava sujo os outros estudantes daqui me chamaram para um café à céu aberto. A conversa foi agradável, mesmo eu estando ainda meio tímido. Perguntaram se eu preferia ser chamado de João; Adolfo; ou João Adolfo. Apesar de sempre me apresentar por Adolfo, não me importo que me chamem por João. Brincaram que João há demais em Portugal e que Adolfo lembra Adolf Hitler. Então uma francesa deu o veredito. Chamam-me de Jado – a pronúncia é um misto de Jado com Giado.

Depois de batizado que fui à reitoria, para depois retornar e me molhar (dentro da banheira mesmo) às margens do Rio Douro (Não é porque eu estava no banheiro que deixei de me molhar às margens do Douro). Foi então enfim a concretização do nome Jado. Ao que e consta um batizado só é completo depois que alguém sai molhado.

Enfim, pira minha. Continuo o mesmo Adolfo de sempre.

Então finalmente saí de banho tomado para as ruas de Porto.

Passei pela reitoria, desta vez me sentindo asseado, e entrei na Rua da Cedofeita – é como se fosse a Rua XV, de Curitiba. Muito comércio em uma parte calçada e há também uma parte de pavimento asfáltico. Achei um mercado que só vende frutas, foi útil pois comprei banana, laranja e cenoura – não comprei nada acima de noventa centavos de Euro por kilo. Não achei ainda um mercado em que eu possa comprar produtos de limpeza e outros tipos de alimento, mas com o miojo que eu trouxe mais estas frutas não passo fome por um tempo – tempo suficiente para achar um mercado maior. Na minha saída enquanto sujo entrei na loja de um chinês para procurar pelo cabo, não encontrei. Na Rua da Cedofeita encontrei outro estabelecimento chinês e achei por dois Euros um adaptador para a tomada do meu lap top. Fiquei aliiado, pois até então eu achava que não ia conseguir mandar e-mails. Com a sacola de frutas na mão fui até o campus de jornalismo. Não procurei nenhuma informação sobre matrícula por enquanto. Só fui ver como e onde era. Na volta finalmente me deparo com um orelhão. Mas preferi não ligar ainda para o Brasil, pois apesar da aparência tranquila da cidade eu evito tirar meu mapa no meio da rua e falar em português com sotaque brasileiro nos ruas. Eu estava com uma sacola na mão e ia me bater demais tentando ajustar o cartão internacional – é preciso digitar até um código para que idioma uma gravação vai te atender. Voltei para o Bairro Ignez e aqui estou. Ahhh sim! Preciso dizer que durante a conversa do café ao ar livre comentei o caso da aeromoça que ofereceu água com gases para um passageiro e disseram aqui que foi só infelicidade dela, pois aqui também se diz água com gás. Continuando: Liguei esta jostinha (eu gosto do meu lap top, mas apelidei ele carinhosamente de jostinha) na tomada e comecei a escrever. O Aris chegou do campus de arquitetura e começamos a conversar, acertamos como será a limpeza e eventuais despesas. Ele é bem legal. Não fuma e nem é louco. Era uma das minhas preocupações quanto ao fato de dividir um apartamento com alguém. Ele é bem organizado e pelo jeito vai ser fácil de dividir o apartamento com ele. A espanhola que citei no texto anterior e uma amiga italiana do Aris nos convidaram para comer na casa delas. Aris citou que é frequente o povo comer junto, e que costumam juntar bastante gente num só lugar. Vou deixar escrito o nome do meu colega de apartamento como já está escrito, mas acabei de descobrir que se escreve: Ares.

Enfim. Não como nada desde às sete da manhã, mas é porque mal parei e também não senti fome. Estou me sentindo vazio – de estômago vazio.

E nem me aprofundarei sobre estar vazio sem a presença da Celina, pois sem isso eu não estarei 100%, não importa o que aconteça por aqui.

Bairro Ignez

18.02.09

Descendo do avião entrei na fila para apresentar o passaporte. Foi tranquilo, o curioso foi ver algumas passagens de leitura biométrica. Algumas pessoas possuíam passaporte eletrônico e precisavam ser identificadas através dos equipamentos: Scanner de digitais e leitor da íris. Eu estava na fila com a Fernanda e passamos sem problema. Minha mala já estava na esteira, a peguei e fui para a alfândega. Foi extremamente tranquilo, o funcionário viu meu passaporte, conversou comigo e mal abriu minha mala – chegou somente a abrir, perguntar se eu estava levando nada do que devia e me mandou seguir quando respondi: Que eu saiba, não. A Fernanda demorava para chegar e os amigos dela, que estão estudando jornalismo em Braga estavam com um papel com o nome dela escrito. Como havia me separado dela e aguardaria para me despedir falei com os amigos dela e começamos a conversar. É um grupo grande de brasileiros que está em braga. A maioria de Bauru, e um de Franca. Fui no posto de turismo do aeroporto para saber como chegar ao Bairro Ignez de ônibus. Fui bem atendido e paguei somente *caçando uma teclina que tenha o símbolo de euro* £1,45 num ônibus que não demorou e rodou bastante pela cidade antes de chegar no ponto final, que era onde eu deveria descer.
Antes de falar como foi no ônibus já adianto uma pérola da língua portuguesa – de Portugal. Chamam água com gás de água com gases. Eu já não bebo água com gás, e aqui estarei bem mais longe de fazer isso.
No ônibus foi tranquilo, assim que ele saiu do aeroporto passou por um bairro residencial que lembra as ruas do Recife Antigo, bem estreitas e com casas bem coloridas. Mas ao menos as casas não chegavam a ser com dois andares e nem uma dividindo muro com a outra – como é no Recife Antigo. O ônibus tem preferência nos semáforos, às vezes antes mesmo de chegar no sinal verde o sinal amarelo já pisca com as letras: BUS. E assim os ônibus andam um pouco mais rápido. A única coisa irritante do interior do ônibus foi a repetição incessante da próxima parada. Em Curitiba há o anúncio da próxima parada uma única vez. Aqui o anúncio se repete inúmeras vezes antes de parar no local e a repetição acontece com tempos aleatórios, algumas vezes repetindo três vezes em menos de um minuto – eu contei no relógio. Talvez fosse um defeito no sistema de anúncio daquele ônibus, mas descobrirei isso quando pegar outro. Ví três viaturas policias no caminho, sendo uma delas do batalhão de choque. As viaturas normais são Toyota.
Fora do centro o trânsito é tranquilo, até demais. No centro o bicho pega, mas é organizado, até demais também.
Ainda contarei como foi chegar no Bairro Ignez – não foi muito fácil. Mas primeiro vou dar um flashback nesta narrativa, falar sobre o desembarque no aeroporto.
Conheci muita gente – os amigos da Fernanda. Todos estudam em Braga. De todo o grupo fiz amizade com um brasileiro japonês chamado Felipe e uma brasileira chamada Thaís. Pelo jeito arranjaremos viagens juntos - eu e os estudantes de Braga e quem mais quiser. Pretendo ir à Braga, pois já tenho onde ficar por lá e eles pretendem vir para Porto, mas não se se poderei deixá-los no Bairro Ignez. Perguntei algumas tantas coisas sobre viver aqui e depois de saber de muita coisa, pretendo comprar um celular – custa cerca de £10 nas promoções e é por recarga. Se comprar um desbloqueado é capaz de funcionar no Brasil. Marcamos, por alto, uma expedição à Óbidos e à Serra da Estrela.
Nota: Amanhã procurarei fazer a matrícula.
Continuando a narrativa do desbravamento das margens do Douro em busca do bairro Ignez.
A paragem final (aqui é paragem, a decolagem é descolagem... além de outros termos estranhos) fica numa praça no fim da Rua da Restauração. Pedi informações para guardinhas na rua e eles me indicaram a Rua da Bandeirinha, que é por onde se desce até o Bairro Ignez. Andei no sentido contrário da Rua da Restauração até chegar no Largo de Viriato, dele surge a Rua da Bandeirinha. O bairro inteiro é de construção bem antiga e só há paralelepípedos, não foi muito fácil arrastar a mala nessas ruas. Não pensem que pela calçada fica mais fácil, paralelepípedos tão espaçados quanto os da rua compõem a calçada. Estava descendo pela rua da Bandeirinha quando me deparei com um convento. Avistei uma freira saindo e esperei ela sair, pois pretendia pedir informações. Ela conhece o Brasil e me recebeu bem, conversei com ela e ela disse que qualquer coisa que eu precisar é só dar um pulo lá. Não pretendo aparecer, mas se precisar pelo menos é perto daqui. Após descer um bocado pela rua da Bandeirinha há de se subir para chegar no alojamento. E não foi mais fácil que descer. Tudo é muito bonito, mas deu uma canseira levar quase quarenta quilos de mala. Assim que encontrei o Bairro Ignez já me deparei com José Oliveira, o administrador daqui. Ele fez meu check-in e me apresentou o bairro. Já conheci um bocado de gente, sendo na maioria italianos. Há uma espanhola e uma francesa. Sou o único brasileiro. Todos falam português muito bem. Pretendo mandar fotos assim que desenterrar a máquina do meio da mochila. Meu colega de quarto é italiano e estuda arquitetura, o nome dele é Aris. Parece simpático, chegou a me oferecer uma macarronada que ele iria preparar. Respondi: Não vou negar. Afinal era uma macarronada preparada por um italiano, mas houve alguma falha na comunicação e ele entendeu que eu não queria. Próxima vez que falar com um estrangeiro é: sim ou não. Assim que arrumar as coisas, me arrumar, bater umas fotos e o que mais precisar vou ao mercado me precaver contra fome. Já sei onde fica e também procurarei um orelhão.
Aqui parece bem seguro, e é lindo.

Avião

17.02 .09

Bom, ignorem erros de digitação e a fonte possivelmente grande. Meu dedo dá umas 4 teclas deste notebook e a tela é de sete polegadas de um anão. Enfim, o lap top é pequeno.

Descobri que ele veio com bateria cheia ainda no aeroporto de São Paulo, mas não consegui me conectar à rede wi-fi pois havia necessidade de provedor. E como não tinha senha e etc não foi possível mandar e-mail.
Enfim. Já ocorreram percepções estranhas do mundo lusitano. Em frente ao portão de embarque 14B, de Guarulhos, havia um casal lusitano de idosos. Nada de anormal até aí. Se não fosse pelo bigode... dela... que era maior que minha barba rala e mal feita. Um buço lusitano feminino cultivado há anos, para estar daquele tamanho. Tentem pensar no personagem Jabba, da série estar Wars, de bigode. Era semelhante à senhora.
Percebi na sala de embarque vários brasileiros - muitos deles estudantes e pessoas aleatórias.
Já no voo: Eu estava sentado na poltrona 39G – sendo esta poltrona a do corredor direito do centro do avião, que contém três fileiras de poltronas – quando uma mulher de cerca de 35 anos puxou conversa à toa comigo. Não havia de dar importância, respondi sem dar margem a novo assunto – ela colocava o rosto mais próximo que o normal dos meu rosto.
* Lembrando que estava sozinho em minha fileira*
Nisso entram as aeromoças segurando cada uma um spray e borrifando pelo corredor inteiro – na altura da ventilação – um líquido que nenhum dos passageiros soube dizer o que era, afinal todo mundo começou a se olhar e rir da pose de modelo das aeromoças enquanto executavam o que mais tarde vim a descobrir que era um spray contra mosquitos – não resisti de pergunta à uma delas. O fato gerou um clima de descontração, em que todos os outros passageiros ao meu redor começaram a interagir – não fiquei de fora. A mulher que chega perto demais do rosto de desconhecidos começou a ficar inquieta e conversar predominantemente comigo, eu sempre sem dar importância. Ela me perguntou o que eu iria fazer, e no final das contas disse que iria estudar jornalismo. Assim que pronunciei isso a agora minha conhecida Fernanda também disse que iria estudar jornalismo. Sentei ao lado da Fernanda para conversar e o serviço de bordo não tardou. No início eu pensei que ela iria para Porto e ela pensou que eu iria para Braga. Ela não irá para Porto e nem eu para Braga. Nessa altura a comida havia chegado. Já que é um voo de aproximadamente dez horas eu pedi vinho, dormir embriagado me faz ter as minhas melhores noites de sono – quando estou sozinho. Não consegui dormir e minha conversa com a Fernanda ia rendendo curiosidades: Lá em Portugal um lanche popular é conhecido como prego e martelo, leia-se como carne e pão.
A comida passou só uma vez, mas a bebida passou três vezes e nas três pedi vinho tinto. A Fernanda já não acredita que é raro quando bebo, apesar do meu estado levemente alterado – pois sou fraco para bebida e desde meu primeiro copo eu já estava meio tonto. Enfim, a mulher que não respeita a proximidade entre rostos estava agora sentada à minha frente e conversando com um, para ela, desconhecido. Não passou muito tempo ela estava ficando com ele aos amassos. Ela trabalha com moda e ele com eventos, em Londres. As luzes estão apagadas e os dois continuam – diz a amiga desta mulher que é por que ela tem medo de avião, mas como diz a música: é por esse motivo que se pega na mão. A Fernanda está dormindo no assento do lado e já estou sóbrio. O avião está deixando a faixa de terra brasileira para entrar no Atlântico – isso se deu próximo à cidade de Mossoró. Sei disso pois há um mapa atualizado constantemente nas televisões. Já li uns capítulos de Musashi para saber qual o destino de Maramahachi e seus atos sem caráter; Sasaki Kojiro, o promissor espadachim emo do Japão medievel; Musashi, que anda mais desaparecido que pinguim em deserto; e também de Otsu, que rumava para Outsu como refém de Matamarachi, e Akemi, que virou meretriz após infelicidades da vida.
A mulher que trabalha com moda e o brasileiro que trabalha com eventos em Londres estão aos estalos em forma de beijo e a cabeça dela pende cada vez mais para baixo. Se pudesse dar um conselho para ela diria para ter cuidado com possível turbulência, que aliás não é pouca neste voo sobre o Atlântico.
Estou com muitas saudades da Celina e não vejo a hora deste período Lusitano acabar, par voltar para o aeroporto e encontrar minha loira me esperando.
Rá! Não dá nem para tecer um texto sobre minha saudade que acaba acontecendo algo ainda mais curioso neste avião: Parece que o casal de desconhecidos foi para o banheiro. Mas ao que tudo indica é só impressão. Estão já voltando. Deve ter sido rápido - se foi.
Enfim. Estou com saudade da minha querida, e prometo não engordar o quanto este porta-passaporte me faz parecer gordo, com esta camisa justa.
Bom, narrar mais fatos quando houver um acúmulo de saudades da minha querida ou quando mais coisas anormais acontecerem, ainda neste avião ou por Porto.
Ahhhh, sim. Ouvi as aeromoças usando a expressão: Assim e assado. Como usamos no Brasil e me recordo de ter perdido uns décimos de ponto em uma apresentação de um trabalho da faculdade por ter a usado duas vezes. Pois é, o assim e o assado também estão em Portugal. Tendo origem lá ou no Brasil. Digo “lá” para Portugal pois ainda estou sobre o oceano.
PS: Um dos motivos das três taças de vinho foi a turbulência, se eu fosse morrer que ao menos acreditasse que estava no Hopi Hari.
PS2: Comentei com a Fernanda que esse avião pode cair mas eu sobrevivo, pois tem um amor me esperando no Brasil.
PS3: O ps1 e o ps2 foram contraditórios sobre morte ou não. Mas ignorem.
PS4: Pretendo ir o quanto antes para a cidade de Óbidos, fotografar. Isso, claro e obviamente dependendo da minha aquisição, ou não, de uma máquina digital profissional. Mas podem contar com fotos de Porto bem cedinho, se eu conseguir conectar esta pequena josta na internet.
PS5: Josta não foi erro de digitação.
PS6: Bah! É tempo de eu reler o texto que realmente acontece alguma coisa com o casal de desconhecidos. Pelo jeito a intimidade que ela tem com o rosto das pessoas já se adaptou às partes íntimas do moço que mora em Londres. Sem exageros, aconteceu um oral no banco da frente. E quem me chamou atenção para isso foi a Fernanda, que já acordou do cochilo.
PS7: Um dos filmes que se pode optar por ver é High School Musical. Me lembra Disney, que me lembra que a Celina já trabalhou lá, que me lembra a falta imensa que ela já faz.