Bom, primeiro dia sem postar.
Não vou descrever muito ontem nem hoje, pois a destinatária deste blog já está muito bem informada de tudo. Não que ela exija saber. Eu gosto de contar.
Ontem o dia foi tedioso. Tempo griso, como se estivesse prestes a desabar o dilúvio de Noé. Porém nada desaguou do céu. Fui fazer algo somente à noite, quando a brasileira e minha colega de turma Vanessa me chamou para fazer algo. A July e o Fernando não iriam, mas topei ir aos bares perto da reitoria – que por sinal ficam muito próximos da minha casa. Começamos em um bar em frente à reitoria e ficamos conversando algum tempo. Depois fomos conhecer a Galeria Paris, pensei que fosse um estabelecimento do ramo de botecos – porém chic. Não era. A Galeria Paris é uma rua que há um pouco depois da reitoria, mas lá entramos no bar. Não vou dizer que não bebi antes e nem neste segundo bar. É raro que eu beba algo, mas não deixei de deglutir cervejas de limão e taças de vinho do porto branco. Família desesperada do sul do Brasil: Eu beber é tão raro quanto andorinha dourada de quarto asas, e por mais que a conta tenha sido em euro eu paguei dos euros que eu trouxe. No segundo bar conhecemos um grupo grande de portugueses. Estávamos a área de não fumantes e era um grupo grande – bom sinal. Conversamos e eu já estava com minha visão fragmentada em frames. Mas alterações etílicas nunca alteraram minha percepção cognitiva, e por isso conversei muito bem – não é papo de bêbado. Beber novamente agora só na minha despedida daqui de Porto. Eu, a Vanessa e o grupo de lusitanos – cerca de três mulheres e uns seis homens – saímos do bar onze e meia. Eu voltei soluçando à pé para casa – soluço quando bebo um pouco mais. A Vanessa foi levada de carro pelos lusitanos até a casa dela, em Vila Nova de Gaia. São bem legais os lusitanos que conhecemos. Dois trabalham em farmácia, um é dono de uma e os outros não se identificaram profissionalmente.
Voltei para casa e entrei na internet para esperar a Celina, mas infelizmente ela não conseguiu entrar.
Já hoje, no domingo, acordei muitíssimo bem – minhas melhores noites e sono são ao lado da Celina ou bêbado, mas um não se compara com o outro. Às onze e meia começava o show que comentei ter conseguido um ingresso gratuito. Cheguei meio cedo e fiquei esperando as pessoas que eu conhecia chegarem. Meus colegas de sala chegaram e entraram assim que possível. Fiquei esperando a Renata, estudante de psicologia da PUC que está na UP também. Nunca a tinha visto e nosso contato se deu porque o pai dela era veterano de faculdade do meu pai. Os dois comentaram entre si o destino das respectivas proles e nosso contato se estabeleceu. A Renata foi junto com várias amigas. Umas sete, o curioso é que todas namoram à distância, e eu também. Quase todos os brasileiros que aqui estão estudando namoram. O show era na verdade uma orquestra e coro. Foi bonito e de graça. Havia durante o evento um apresentador que explicava a história e o contexto em que casa música foi criada, achei interessante. Porém a interação que ele exigia da platéia era um tanto quanto infantil. Ele pedia e a platéia gritava a presença da orquestra: Orquestraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Para o maestro: Maestroooooooooooooooooooooooooooooooooo. Para o coro: Corooooooooooooooooooooooooooooooooooooo. Depois do evento fui com a Renata e mais duas amigas dela comer no restaurante Chimarrão, o qual já citei aqui. Ficamos conversando e de lá combinamos fazer algo mais tarde. Voltei para casa para conversar via msn com a Celina e finalmente consegui. Como dá saudades dela, quanto mais conheço gente aqui mais percebo que é com ela que eu quero ficar.
Não demorou muito do término da minha conversa com ela que saí novamente com a Renata, Maíra e uma amiga delas que é recifence. Foi interessante conversar com ela sobre recife e com a Renata e Maíra sobre Curitiba – numa conversa simultânea. Ahhh, deixe-me dizer para onde que nós fomos. Nos encontraríamos na reitoria pois a Maíra queria conhecer os bares – nada de bebidas para mim, no máximo um café. Cheguei primeiro, como de praxe e vi todos os bares fechados, nisso me lembrei que a atendente do segundo bar que eu havia ido sábado comentou sobre domingo ser tudo fechado. A única coisa que havia aberta era uma igreja, e quando elas chegaram o culto já havia acabado. Como se fossemos à missa. Viemos aqui para casa e elas usaram o jostinha, pois estão sem internet por enquanto, e comeram brigadeiro. Fora do apartamento estava tendo uma festa de despedida de um alemão de apelido Latto. Elas e eu fomos convidados mas preferimos não ir. Conversamos um pouco e as acompanhei até o alojamento delas. Na volta fui para a festa e praticamente jantei lá. São 22:55 e a festa ainda está acontecendo. Já tomei banho, coloquei o pijama e me recolhi aos meus aposentos, como diria quem se recolhe aos aposentos.
Ahhh sim, a coisa mais curiosa de hoje foi enquanto eu as deixava na porta do alojamento. No caminho vimos um coelho andando pela rua. Era grande e gordo, ficamos um tempo observando de perto o dócil animal e um português transeunte meio gordo comentou conosco: Isso dá uma boa arrozada. Ele estava certo, deve ser muito bom. Não sei se alguém lembra, mas comentei sobre uma rua em que de um lado o bairro sobe uns dez metros e do outro o bairro desce vinte metros. Neste grande buraco há plantações de subsistência – o coelho devia ir de lá, fomos o encurralando até que passasse por um buraco sob um portão e então voltasse para onde deveria ter vindo. Na PUC já vi gambás andando livremente, mas nunca havia visto coelho pronto para o abate saltitando pelo asfalto.
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